[ The Wonder Years ]
Já nem tento mais encontrar as palavras para descrever a minha sensação ao assistir os episódios de "Anos Incríveis". E não pela multiplicidade de sentimentos que posso desenvolver. O mérito é todo da série.Como se não bastasse que cada detalhe da vida de Kevin Arnold se pareça incrivelmente com a minha própria vida, a série ainda foi capaz de mudar todo o meu gosto musical e a minha maneira de enxergar o meu próprio crescimento e a maneira como eu passo pelos anos.
Aprendi a amar um pouco mais a minha família. E assim, a mim mesmo
Cada um de nós é um conjunto de memórias. É um álbum de fotografias. Às vezes não nos lembramos exatamente de como as coisas realmente importantes em nossas vidas aconteceram. Mas as lacunas podem ser preenchidas. Foi o que Kevin Arnold me ensinou: a imaginação existe é pra isso. Não é pecado misturar o sonho e a lembrança...
Todo mundo teve os seus "anos incríveis", mesmo que tenham apenas durado meses, ou segundos. Os anos incríveis são aqueles momentos em que você está crescendo, rodeado de pessoas que te amam. É brincar na rua com os seus amigos, mesmo que já tenham passado da idade de brincar. É beijar uma pessoa especial, como se fosse a primeira vez para ambos. É brigar com o seu irmão mais velho só para descobrir que vocês são mais parecidos do que o espelho pode dizer. É descobrir como sua mãe é especial. É perceber que aquele mau-humor que de vez em quando acomete o seu pai tem um motivo, mas que não é maior do que o amor que ele sente pela família. É brincar com um cachorro, é observar como sua irmã parece ser de outro planeta. De algum jeito, os anos incríveis têm um fim. Mas não é um fim necessariamente triste, porque ele acontece no momento em que você deixa de prestar atenção no que poderia ter sido e mira seus pensamentos no que VAI SER. Os anos incríveis terminam quando você se perdoa por crescer.
E é assim também que começa o resto da sua vida.
Eu ainda não consegui me perdoar por muita coisa que deixei de fazer na minha vida. Mas de vez em quando eu consigo olhar pra hoje, sem ignorar a importância de ontem, e sem deixar de sonhar com o amanhã. E isso eu só consigo com uma ajudinha dos meus amigos.
Citação: "time it was and what a time it was it was a time of innocence, a time of confidence is " (Simon and Garfunkel, Bookends)
Trilha Sonora: God Only Knows, by The Beach Boys
quinta-feira, dezembro 20, 2007
quarta-feira, novembro 21, 2007
6.14 - Breakfast at Tiffany's
[ Breakfast at Tiffany’s ]
Só me faltava essa: tenho insônia. Como se não bastassem os mil trabalhos que eu tenho pra fazer e nem sei por onde começar, se não bastasse o vestibular daqui duas semanas no qual eu vou trabalhar pela TV, na cobertura ao vivo, se não bastasse tudo mais, agora eu não consigo dormir.
Se pelo menos eu usasse essas horas pra algo útil, tipo terminar de ler o texto de Psicologia Social ou começar a fazer o trabalho de Narrativa Jornalística… Mas não. São umas três horas por dia que eu perco desde quando vou pra cama até quando começo a dormir. Posso estar com todo o sono do mundo, nada me faz dormir. E o pior, esse sono perdido aparece quando não pode, no meio do meu horário de trabalho, ou no meio daquela aula importantíssima de Teorias da Imagem quando o professor passar um filme incompreensível que vai cair na prova.
Que vida é essa, hem? Cada vez reconheço menos o meu dia-a-dia. Tem semanas que não vejo os meus melhores amigos. Ver eu vi, mas… To com tanto medo de perder eles pra sempre. Juro, medo mesmo. Será que eu vou ser o próximo a sair do grupo? O próximo pra quem eles não vão ligar mais?
Essa noite eu já tentei ler, tentei escrever um roteiro, até assisti de novo o primeiro capítulo de Confissões de Adolescentes na esperança de o sono vir. E nada. Aí toca aquela música velha no rádio. Aquela linda.
Desisto de dormir. Daqui a 8 horas eu tenho que estar lá na faculdade, tenho trabalho pra fazer. À tarde, gravação do programa. À noite, prova de Inglês. Se eu morasse em Nova York, agora, nesse segundo, seria o momento de pegar um táxi, comprar um café, um croissant e comer em frente à vitrine da Tiffany & Co. Mas como eu moro em Belo Horizonte…
Deu saudade de novo. Sempre fico assim de noite, ouvindo música.
Rua Ramalhete
Sem querer fui me lembrar
de uma rua e seus ramalhetes,
do amor anotado em bilhetes,
daquelas tardes
No muro do Sacré-Coeur,
de uniforme, olhar de rapina
nossos bailes no clube da esquina
Quanta saudade!
- Muito prazer, vamos dançar?
E eu vou falar no seu ouvido
Coisas que vão fazer
você tremer dentro do vestido
Vamos deixar tudo rodar
E o som dos Beatles na vitrola
Será que algum dia eles vêm aqui
cantar as canções que a gente quer ouvir?
Dica de Locadora: Breakfast at Tiffany’s (Bonequinha de Luxo) – Se você não viu esse filme ou não sabe quem é Audrey Hepburn, sua vida tem sido em vão. Holly Golightly é uma das personagens mais marcantes que eu já vi em um filme, Audrey é Deus. Ela é uma pseudo-socialite com um gato sem nome que tenta arrumar um marido rico – entre eles, um brasileiro, ahaha – e acaba se envolvendo com o escritor do andar de cima.
Citação: “Na minha cabeça tem um zilhão de coisas. As pessoas não podem ver a minha cabeça. Como vão saber que ela tem um zilhão de coisas?”, George, personagem de Josh Peck em Mean Creek.
Trilha Sonora: Rua Ramalhete, versão do Roupa Nova
Só me faltava essa: tenho insônia. Como se não bastassem os mil trabalhos que eu tenho pra fazer e nem sei por onde começar, se não bastasse o vestibular daqui duas semanas no qual eu vou trabalhar pela TV, na cobertura ao vivo, se não bastasse tudo mais, agora eu não consigo dormir.
Se pelo menos eu usasse essas horas pra algo útil, tipo terminar de ler o texto de Psicologia Social ou começar a fazer o trabalho de Narrativa Jornalística… Mas não. São umas três horas por dia que eu perco desde quando vou pra cama até quando começo a dormir. Posso estar com todo o sono do mundo, nada me faz dormir. E o pior, esse sono perdido aparece quando não pode, no meio do meu horário de trabalho, ou no meio daquela aula importantíssima de Teorias da Imagem quando o professor passar um filme incompreensível que vai cair na prova.
Que vida é essa, hem? Cada vez reconheço menos o meu dia-a-dia. Tem semanas que não vejo os meus melhores amigos. Ver eu vi, mas… To com tanto medo de perder eles pra sempre. Juro, medo mesmo. Será que eu vou ser o próximo a sair do grupo? O próximo pra quem eles não vão ligar mais?
Essa noite eu já tentei ler, tentei escrever um roteiro, até assisti de novo o primeiro capítulo de Confissões de Adolescentes na esperança de o sono vir. E nada. Aí toca aquela música velha no rádio. Aquela linda.
Desisto de dormir. Daqui a 8 horas eu tenho que estar lá na faculdade, tenho trabalho pra fazer. À tarde, gravação do programa. À noite, prova de Inglês. Se eu morasse em Nova York, agora, nesse segundo, seria o momento de pegar um táxi, comprar um café, um croissant e comer em frente à vitrine da Tiffany & Co. Mas como eu moro em Belo Horizonte…
Deu saudade de novo. Sempre fico assim de noite, ouvindo música.
Rua Ramalhete
Sem querer fui me lembrar
de uma rua e seus ramalhetes,
do amor anotado em bilhetes,
daquelas tardes
No muro do Sacré-Coeur,
de uniforme, olhar de rapina
nossos bailes no clube da esquina
Quanta saudade!
- Muito prazer, vamos dançar?
E eu vou falar no seu ouvido
Coisas que vão fazer
você tremer dentro do vestido
Vamos deixar tudo rodar
E o som dos Beatles na vitrola
Será que algum dia eles vêm aqui
cantar as canções que a gente quer ouvir?
Dica de Locadora: Breakfast at Tiffany’s (Bonequinha de Luxo) – Se você não viu esse filme ou não sabe quem é Audrey Hepburn, sua vida tem sido em vão. Holly Golightly é uma das personagens mais marcantes que eu já vi em um filme, Audrey é Deus. Ela é uma pseudo-socialite com um gato sem nome que tenta arrumar um marido rico – entre eles, um brasileiro, ahaha – e acaba se envolvendo com o escritor do andar de cima.
Citação: “Na minha cabeça tem um zilhão de coisas. As pessoas não podem ver a minha cabeça. Como vão saber que ela tem um zilhão de coisas?”, George, personagem de Josh Peck em Mean Creek.
Trilha Sonora: Rua Ramalhete, versão do Roupa Nova
quinta-feira, outubro 25, 2007
6.13 - Rain Man
*post escrito em um dia quente, dias atrás. quando as gotas esporádicas eram só sonhos.
[ Rain Man ]
A chuva se recusa a cair, como se fizesse charme. Como os segundos que antecedem a entrada da noiva. Como a moça que se faz de difícil diante da declaração. Como o blecaute antes do show. Como cada luz apagada antes que seja acesa. Como o último capítulo da novela, como o final (re)(des)velado do vilão, mais esperado que o da mocinha.
A chuva sabe que todos a querem. Nem mesmo os termômetros sabem o quanto está quente. Para eles são apenas números. Para nós, é o chinelo.
A chuva é uma criança que ora chega oportunamente, no meio de uma caminhada, para lavar o cansaço só mostrando os dentinhos - vez ou outra com falhas, portas, janelas, clarabóias... - e ora reage com gritos e ruídos inconvenientes (para quem?) enquanto a platéia assiste quieta ao teatro.
Deixe a criança se levantar, deixe-a falar. Molière não se importa, aposto. Perto de mim ela pode brincar de não ser criança com seu pingüinzinho azul na mão. Ele parece o Menino Maluquinho. É como eu gostaria que fosse meu filho. Do outro lado, a bailarina ainda vestida, que acabou de chegar da aula. A tia a leva ao teatro e ela, com uns sete anos, nem sabe o que está vendo. Mas já basta, é bailarina, brinca de boneca na brisa bela. Toma a Coca-Cola toda, ignorando que a garrafa é quase do tamanho do seu corpo. Já tem arte suficiente impregnada em si. Tanto que nem precisa se calar. Calem-se, adultos. Molière fala às crianças.
O Galpão galopa...
E naquele menino eu vi alguém que eu deveria continuar a ser. Apesar dos trabalhos, seminários, decupagens, reportagens. E eu já não reclamo da vida. Quase acredito na minha fala de que sim, um dia as coisas vão melhorar. Um dia o dinheiro que eu ganho vai dar pra eu pagar aquele curso, aquele tênis e aquela mensalidade no mesmo mês. Um dia vai valer a pena. Tomara que chova amanhã.
Baixa Pressão - Kid Abelha
Cabeça quase nos pés e nuvens
nenhuma chuva
são quase 42 à sombra
nenhuma brisa
Inferno e fogo na luz do dia...
Não faço em que ano estamos
aqui, todo verão é igual
De novo esqueci seu nome
(acho que isso não é normal)
Estou pedindo perdão
pela umidade e a pressão
Já não raciocino e nem respiro mais
E em tudo que você disser
eu vou acreditar
E se você não me quiser, tanto faz
sou capaz de acostumar...
Dica de locadora: Rain Man (Rain Man) - O motivo pra todo e qualquer ser humano ver esse filme tem duas palavras: Dustin Hoffman.
Citação: A thousand miles seem pretty far, but they've got planes and trains and cars...
Trilha sonora: Something Stupid, by Nicole Kidman e Robbie Williams
[ Rain Man ]
A chuva se recusa a cair, como se fizesse charme. Como os segundos que antecedem a entrada da noiva. Como a moça que se faz de difícil diante da declaração. Como o blecaute antes do show. Como cada luz apagada antes que seja acesa. Como o último capítulo da novela, como o final (re)(des)velado do vilão, mais esperado que o da mocinha.
A chuva sabe que todos a querem. Nem mesmo os termômetros sabem o quanto está quente. Para eles são apenas números. Para nós, é o chinelo.
A chuva é uma criança que ora chega oportunamente, no meio de uma caminhada, para lavar o cansaço só mostrando os dentinhos - vez ou outra com falhas, portas, janelas, clarabóias... - e ora reage com gritos e ruídos inconvenientes (para quem?) enquanto a platéia assiste quieta ao teatro.
Deixe a criança se levantar, deixe-a falar. Molière não se importa, aposto. Perto de mim ela pode brincar de não ser criança com seu pingüinzinho azul na mão. Ele parece o Menino Maluquinho. É como eu gostaria que fosse meu filho. Do outro lado, a bailarina ainda vestida, que acabou de chegar da aula. A tia a leva ao teatro e ela, com uns sete anos, nem sabe o que está vendo. Mas já basta, é bailarina, brinca de boneca na brisa bela. Toma a Coca-Cola toda, ignorando que a garrafa é quase do tamanho do seu corpo. Já tem arte suficiente impregnada em si. Tanto que nem precisa se calar. Calem-se, adultos. Molière fala às crianças.
O Galpão galopa...
E naquele menino eu vi alguém que eu deveria continuar a ser. Apesar dos trabalhos, seminários, decupagens, reportagens. E eu já não reclamo da vida. Quase acredito na minha fala de que sim, um dia as coisas vão melhorar. Um dia o dinheiro que eu ganho vai dar pra eu pagar aquele curso, aquele tênis e aquela mensalidade no mesmo mês. Um dia vai valer a pena. Tomara que chova amanhã.
Baixa Pressão - Kid Abelha
Cabeça quase nos pés e nuvens
nenhuma chuva
são quase 42 à sombra
nenhuma brisa
Inferno e fogo na luz do dia...
Não faço em que ano estamos
aqui, todo verão é igual
De novo esqueci seu nome
(acho que isso não é normal)
Estou pedindo perdão
pela umidade e a pressão
Já não raciocino e nem respiro mais
E em tudo que você disser
eu vou acreditar
E se você não me quiser, tanto faz
sou capaz de acostumar...
Dica de locadora: Rain Man (Rain Man) - O motivo pra todo e qualquer ser humano ver esse filme tem duas palavras: Dustin Hoffman.
Citação: A thousand miles seem pretty far, but they've got planes and trains and cars...
Trilha sonora: Something Stupid, by Nicole Kidman e Robbie Williams
6.12 - Autumn in New York
[ Autumn in New York ]
Não deve ser tão sério assim... Nem é pra ser. Eu contei pra ela sobre o meu amor eterno. Ela acha que ele um dia vai passar.
Pois é. Nesse momento, eu só queria Florianópolis. Só queria nós dois e praia. E um violão, talvez, cantando acústico aquela música.
Não é pra ser sério, ela não quer coisa séria e eu não vou deixar que isso fique sério demais. mas estou pensando seriamente nela.
E agora, que a noite já não está mais azul, eu to com vontade de ligar, de ir, de ficar. Pra sempre. Pra sempre não, que pra sempre é coisa séria. Mas infinitamente até acabar.
Não é sério. Mas é inspirador. Gostoso igual a talento branco. Incontrolável como uma tremedeira na mão.
Staind - It's been a while
It's been a while
Since I could... Hold my head up high
It's been a while
Since I first saw you
It's been a while
Since I could stand on my own two feet again
And it's been a while
Since I could call you
But everything I can't remember
As fucked up as it all may seem
The consequences that I've rendered
Have stretched myself beyond my means
It's been a while
Since I could say that I wasn't addicted
It's been a while
Since I could say I loved myself as well and...
It's been a while
Since I've gone and fucked things up
Just like I always do
It's been a while
But all that shit seems to disappear when I'm with you
And everything I can't remember
As fucked up as it all may seem
Consequences that I've rendered
Gone and fucked things up again... again
Why must I feel this way?
Just make this go away
Just one more peaceful day
It's been a while
Since I could... Look at myself straight
It's been a while
Since I said I'm sorry
It's been a while
Since I've seen the way the candles light your face
It's been a while
But I can still remember just the way you taste
Everything I can't remember
As fucked up as it all may seem to be, I know it's me
I cannot blame this on my father
He did the best he could for me
It's been a while
Since I could... Hold my head up high
It's been a while Since I said I'm sorry
Dica de locadora: Autumn in New York (Outono em Nova York) - alguns relacionamentos só precisam ser curtos para serem inesquecíveis. mas mesmo assim duram pra sempre. Richard Gere aprende isso com Winona Ryder.
Citação:

Não deve ser tão sério assim... Nem é pra ser. Eu contei pra ela sobre o meu amor eterno. Ela acha que ele um dia vai passar.
Pois é. Nesse momento, eu só queria Florianópolis. Só queria nós dois e praia. E um violão, talvez, cantando acústico aquela música.
Não é pra ser sério, ela não quer coisa séria e eu não vou deixar que isso fique sério demais. mas estou pensando seriamente nela.
E agora, que a noite já não está mais azul, eu to com vontade de ligar, de ir, de ficar. Pra sempre. Pra sempre não, que pra sempre é coisa séria. Mas infinitamente até acabar.
Não é sério. Mas é inspirador. Gostoso igual a talento branco. Incontrolável como uma tremedeira na mão.
Staind - It's been a while
It's been a while
Since I could... Hold my head up high
It's been a while
Since I first saw you
It's been a while
Since I could stand on my own two feet again
And it's been a while
Since I could call you
But everything I can't remember
As fucked up as it all may seem
The consequences that I've rendered
Have stretched myself beyond my means
It's been a while
Since I could say that I wasn't addicted
It's been a while
Since I could say I loved myself as well and...
It's been a while
Since I've gone and fucked things up
Just like I always do
It's been a while
But all that shit seems to disappear when I'm with you
And everything I can't remember
As fucked up as it all may seem
Consequences that I've rendered
Gone and fucked things up again... again
Why must I feel this way?
Just make this go away
Just one more peaceful day
It's been a while
Since I could... Look at myself straight
It's been a while
Since I said I'm sorry
It's been a while
Since I've seen the way the candles light your face
It's been a while
But I can still remember just the way you taste
Everything I can't remember
As fucked up as it all may seem to be, I know it's me
I cannot blame this on my father
He did the best he could for me
It's been a while
Since I could... Hold my head up high
It's been a while Since I said I'm sorry
Dica de locadora: Autumn in New York (Outono em Nova York) - alguns relacionamentos só precisam ser curtos para serem inesquecíveis. mas mesmo assim duram pra sempre. Richard Gere aprende isso com Winona Ryder.
Citação:

Trilha Sonora: Constellations, by Jack Johnson
quinta-feira, setembro 13, 2007
6.11 - Scent of a Woman
[ Scent of a Woman ]
Deu saudade, sabe? Tava ouvindo aquelas músicas de 80 e poucos no computador depois de fazer meu trabalho todo. Já era uma e tantas da manhã, aula no outro dia cedinho, e eu lá. Comecei a viajar naqueles negocinhos do Windows Media Player, sabe? Aí tocou ela: a música que sempre chama a minha atenção.
“Longe de casa há mais de uma semana...”
Eu lembrei da minha mãe, da minha família toda, da minha infância tão legal e tão simples. Como era fácil aquela vida. Quanto será que custa uma passagem para uma viagem ao passado? Eu quero mais do que a memória.
“será que ela está me esperando?”
Eu abri a janela pra sentir na cara o tempo louco de BH. Calor de tarde, frio de noite. E o cheiro da chuva se comprova a cada momento como o meu cheiro preferido. Sabe, quando você sente o cheiro e sente que vai chover? Mas talvez só amanhã? E ventou demais. Janela aberta, eu quase indo dormir. A força que me fez ficar viajando no Media Player mesmo com o sono chamando me levou a ficar um tempão olhando pra avenida vazia na frente do prédio, pro bairro que se estende até as alturas dessa região de Belo Horizonte.
“Estou a dois passos do paraíso”
Estou a dois passos do paraíso, foi o que eu pensei. Ta quase tudo quase certo. E eu só tenho 19 anos. Cheiro da chuva, cheiro de sono, e a prova que eu fui bem... Vão vir outras, e responsabilidades, e medos... Vai vir mais trabalho, e mais problema, e eu quero mesmo é enfrentar todos eles.
Sabe? Eu tenho um computador novo. Pra mim, que sou irmão caçula, ganhar coisa nova, tirada da caixa, é o paraíso. Não que eu não tenha ganhado coisas na vida. Aliás, fui, de todos os meus irmãos, o que mais viajou, que mais teve oportunidade de conhecer, de estudar, de estar lá... Mas coisa nova mesmo eu só fui ver depois que mudei pra BH. Depois que comprei meu próprio celular, depois que vou na loja comprar minhas próprias camisas. Sabe a saudade que dá do abraço dos seus pais?
“Nem sei por que é que eu fui dizer bye, bye...”
Eu acho que eu quero ela. Talvez seja o que eu precise no momento. E quem sou eu pra ver o futuro, né? Só sei que nesse momento, o presente que eu quero é ela, com um laço ou sem laços. Numa embalagem qualquer. O que vale é o cartãozinho. E a outra? Bom, a outra sempre vai ser. Sempre vai estar, permanecer, continuar, sempre to be. Acho tudo isso muito egoísta, né? Enfim...
“Bye, bye! Baby, bye, bye...”
Eu vou escrever uma história sobre crianças. Sobre rito de passagem. Sobre garotos de 10 anos e seus amores. Talvez seja autobiográfica. É, será mesmo. Será meu projeto de vida. Recontar minha vida. Narrador clássico, narrador jornalista... Eu acho que eu to começando a ser alguém na vida, viu?
Ô, cheiro de chuva... cheiro de sono... cheiro de mãe... cheiro de melzinho em cartela... cheiro de chocolate... de paçoca... de cantina da escola... de recreio... do apartamento vazio no andar de cima... da infância... Cheiro de saudade, de expectativa, cheiro de não ser mais criança.
Cheiro de epifania.
Dica de locadora: Scent of a woman (Perfume de mulher) - indescritível drama estrelado por Al Pacino e Chris O'Donnell. Foi de lá que você tirou a música Por una Cabeza, aquele tango que você conhece.
Citação: "Nós temos apenas que nos perdoarmos por crescermos" (Kevin Arnold, Wonder Years)
Trilha Sonora: A dois passos do paraíso, by Blitz
Deu saudade, sabe? Tava ouvindo aquelas músicas de 80 e poucos no computador depois de fazer meu trabalho todo. Já era uma e tantas da manhã, aula no outro dia cedinho, e eu lá. Comecei a viajar naqueles negocinhos do Windows Media Player, sabe? Aí tocou ela: a música que sempre chama a minha atenção.
“Longe de casa há mais de uma semana...”
Eu lembrei da minha mãe, da minha família toda, da minha infância tão legal e tão simples. Como era fácil aquela vida. Quanto será que custa uma passagem para uma viagem ao passado? Eu quero mais do que a memória.
“será que ela está me esperando?”
Eu abri a janela pra sentir na cara o tempo louco de BH. Calor de tarde, frio de noite. E o cheiro da chuva se comprova a cada momento como o meu cheiro preferido. Sabe, quando você sente o cheiro e sente que vai chover? Mas talvez só amanhã? E ventou demais. Janela aberta, eu quase indo dormir. A força que me fez ficar viajando no Media Player mesmo com o sono chamando me levou a ficar um tempão olhando pra avenida vazia na frente do prédio, pro bairro que se estende até as alturas dessa região de Belo Horizonte.
“Estou a dois passos do paraíso”
Estou a dois passos do paraíso, foi o que eu pensei. Ta quase tudo quase certo. E eu só tenho 19 anos. Cheiro da chuva, cheiro de sono, e a prova que eu fui bem... Vão vir outras, e responsabilidades, e medos... Vai vir mais trabalho, e mais problema, e eu quero mesmo é enfrentar todos eles.
Sabe? Eu tenho um computador novo. Pra mim, que sou irmão caçula, ganhar coisa nova, tirada da caixa, é o paraíso. Não que eu não tenha ganhado coisas na vida. Aliás, fui, de todos os meus irmãos, o que mais viajou, que mais teve oportunidade de conhecer, de estudar, de estar lá... Mas coisa nova mesmo eu só fui ver depois que mudei pra BH. Depois que comprei meu próprio celular, depois que vou na loja comprar minhas próprias camisas. Sabe a saudade que dá do abraço dos seus pais?
“Nem sei por que é que eu fui dizer bye, bye...”
Eu acho que eu quero ela. Talvez seja o que eu precise no momento. E quem sou eu pra ver o futuro, né? Só sei que nesse momento, o presente que eu quero é ela, com um laço ou sem laços. Numa embalagem qualquer. O que vale é o cartãozinho. E a outra? Bom, a outra sempre vai ser. Sempre vai estar, permanecer, continuar, sempre to be. Acho tudo isso muito egoísta, né? Enfim...
“Bye, bye! Baby, bye, bye...”
Eu vou escrever uma história sobre crianças. Sobre rito de passagem. Sobre garotos de 10 anos e seus amores. Talvez seja autobiográfica. É, será mesmo. Será meu projeto de vida. Recontar minha vida. Narrador clássico, narrador jornalista... Eu acho que eu to começando a ser alguém na vida, viu?
Ô, cheiro de chuva... cheiro de sono... cheiro de mãe... cheiro de melzinho em cartela... cheiro de chocolate... de paçoca... de cantina da escola... de recreio... do apartamento vazio no andar de cima... da infância... Cheiro de saudade, de expectativa, cheiro de não ser mais criança.
Cheiro de epifania.
Dica de locadora: Scent of a woman (Perfume de mulher) - indescritível drama estrelado por Al Pacino e Chris O'Donnell. Foi de lá que você tirou a música Por una Cabeza, aquele tango que você conhece.
Citação: "Nós temos apenas que nos perdoarmos por crescermos" (Kevin Arnold, Wonder Years)
Trilha Sonora: A dois passos do paraíso, by Blitz
sábado, setembro 08, 2007
Eu vivo numa procura incessante em busca da história ideal para se escrever. Já criei personagens loucos demais, normais demais, novos demais, experientes demais. Personagens sonhadores, personagens insatisfeitos, personagens amantes, personagens vagabundos. Vivo procurando o diálogo perfeito. E quase todos os meus personagens têm uma coisa em comum: eles não tem final.
Mas eu to lá... vivo escrevendo.
Quer saber? Cansei de escrever. To querendo é viver.
Em breve aqui o post que era pra reinaugurar esse blog. Isso aí foi só desabafo.
*ouvindo: Cry for help, by Rick Astley.
Mas eu to lá... vivo escrevendo.
Quer saber? Cansei de escrever. To querendo é viver.
Em breve aqui o post que era pra reinaugurar esse blog. Isso aí foi só desabafo.
*ouvindo: Cry for help, by Rick Astley.
sexta-feira, julho 06, 2007
6.10 - The Family Stone
[ The Family Stone ]
Aí de repente eu entro de férias. Não do trabalho, mas das aulas. E aí eu tenho que escolher que matérias eu vou estudar no semestre que vem. Escolho, ajeito, planejo. Ainda tem que ter horário pra ir pra TV. E aí eu tenho que correr pra pagar a conta e imagino que ainda tem outra vencida pra pagar. Tenho que ir ao banco.
E amanhã é dia de lavar a roupa. E no domingo de ir na apresentação de balé. E também reunir com a comissão pra decidir os planos futuros da formatura. E daqui duas semanas é ir a trabalho pra Diamantina e ficar com três programas nas costas.
Vida de adulto?
Aí eu chego em casa e tudo o que eu quero assistir é o episódio novo do The OC. E quando eu for pra Sete Lagoas vou continuar escrevendo minhas historinhas.
Vida de criança?
Depois de viver esse tempo todo sozinho, parece que estou ainda mais sozinho do que nunca. Mas não no sentido negativo, de solitário, porque apesar de tudo, apesar de ter demorado um pouco, eu sei que tem gente que fica preocupado comigo, mesmo 700 quilômetros longe. Eu sei que tem gente que pensa se eu estou comendo direito, tem gente que liga pra mim só pra falar que tá tocando a música que eu gosto de madrugada, tem gente que me manda comprar roupa nova depois de ver no programa que eu apresentei com roupa velha...
O maior significado de crescer pra mim, agora, tem sido perceber coisas que eu demorei demais pra ver. Descobri tarde demais que minha casa é o melhor lugar do mundo. Mas não antes de dizer coisas pra pessoas que não mereciam ouvi-las. As coisas? eu já esqueci. Elas não.
Estar em casa, ao lado do pai, da mãe, dos irmãos, é sim a melhor coisa do mundo. E eu não consigo pensar em outras pessoas mais importantes.
A gente é só um conjunto de momentos, sabe? Um conjunto de coisas e lembranças. É isso a base pros nossos atos. Então, acho que eu devo tudo à minha família. Ao meu pai... se hoje o Cinema é importante na minha vida, se hoje trabalhar com isso é o maior sonho, a maior vontade e o maior desejo, é tudo por causa dele. Tudo porque ele me levava na locadora todo sábado e me deixava alugar todos os films que eu quisesse, até esgotar toda a prateleira. É, eu acho que ele nem sabe disso mesmo porque eu nunca disse. A minha mãe que sempre está preocupada com 2000 coisas ao mesmo tempo... obrigado por eu ser uma delas. Tem coisas, mãe, que aos 17 anos a gente não sabe direito ainda. Viver longe de casa não é melhor, só necessário. Eu queria ser criança pra sempre sim, só pra não ter que saber onde está a minha toalha e você me dizer.
E tem a Jane, que mesmo passando as dificuldades da vida ainda é a minha companhia preferida pra ir no shopping, mesmo que for sem dinheiro, só pra ver a vitrine. Ou então pra lembrar quando toca aquela música do Rick Astley que ninguém mais da minha idade conhece. E pra me ligar só pra saber se estou bem e pra cuidar de mim, sendo minha segunda mãe na maior parte do tempo. Tem a Michele... ainda não descobri outra pessoa melhor com quem eu possa assistir um filme só pra discutir no final. E pra discutir filosofia e coisas sérias da vida. E o Jonatas que me salva quando eu preciso de dinheiro e que foi o meu companheiro de quarto por muito tempo e que só agora tá conseguindo um jeito de demonstrar todo o sentimento que guardou numa caixinha por 20 anos.
E tem o resto da minha família, tem o Dinho, a Márcia, o Gugu que me ensinou muita coisa que eu também só fui descobri depois, e ele só tinha uns 4 ou 5 anos na época, tem o Jeferson que é a criança mais doce que eu já vi na vida inteira e que tem o cabelo mais invejável da família. Tem o tiCarmelo que levava a gente pro Cipó e que me fez gostar de "Simon and Garfunkel", tem o Luan e o Léo, que nem sabe que empurrar ele no balanço às vezes é a melhor parte do meu dia.
E tem o Filipe e a amizade incondicional que passa por cima de tudo, sempre, sempre. Tem o Du que é com quem eu pulo e canto naquele show, como se fosse a melhor coisa do mundo. Tem o Rodrigo e nossos filmes de noite, nosso código secreto. Ninguém me entende mais do que ele. Tem o Pedro... Tem a Nathália e o Marcus, que me fazem acreditar que talvez o amor dê certo mas que sempre tem o "se...". Tem o Júnior, exemplo de persistência e competência no trabalho, e o Diogo, que mesmo estando muito, muito, muito longe provam que uma pessoa e o seu sonho não têm fronteiras.
Tem a Amanda, o Gustavo, a Padô, a Nath, o Horeya, a Lo, o Michel, a Priscila... todo mundo tão longe nesse momento, mas que estarão lá no porta-retratos da minha estante pra sempre. Tem a Clá, a Luizinha, a Bel, a Mari, a Deds, a Lolis, a Brunita, a Quel, o Pedro, o Victor, o Terê, o Nuno, a Lygia, a Tetê, o Bruno, a Jenifer, a Gibson, a Carolzinha, a Paulinha, a Sula, o Filipe, a Marina, o Leandro, a Rê, a Drica, a Carol (tão always), a Yayá... todo mundo nesse mesmo curso que vai levar a gente pra algum oceano distante.
Tem a Helena... tem a Ariane...
E tem o povo da TV, que entrou por último na minha vida, mas é quem eu mais tenho visto ultimamente. A Kel Sodré, a Aline, a Lu Antunes, a Lu Carvalho, o Fábio, o Rafa, o Ismael, o Gabriel, a Gidália, a Bia, o Átila, o povo da técnica, os chefes...
É possível ser sozinho desse jeito, é?
Se eu sou criança ou adulto não sei não. Mas pra que descobrir, né? Tá tudo legal do jeito que tá.
Dica de locadora: The family stone (Tudo em família) - Sarah Jessica Parker tenta desesperadamente entrar pra família de seu futuro marido, mas não consegue agrada-los de maneira alguma. Quando o natal se aproxima, ela fica sozinha em território inimigo e convida sua irmã para apoiá-la. Mas nem desconfia que essa família também passa por grandes e difíceis problemas.
Citação: "in my life, i love them more" (In My Life, The Beatles)
Trilha Sonora: All I have to do is dream, by Everly Brothers
Aí de repente eu entro de férias. Não do trabalho, mas das aulas. E aí eu tenho que escolher que matérias eu vou estudar no semestre que vem. Escolho, ajeito, planejo. Ainda tem que ter horário pra ir pra TV. E aí eu tenho que correr pra pagar a conta e imagino que ainda tem outra vencida pra pagar. Tenho que ir ao banco.
E amanhã é dia de lavar a roupa. E no domingo de ir na apresentação de balé. E também reunir com a comissão pra decidir os planos futuros da formatura. E daqui duas semanas é ir a trabalho pra Diamantina e ficar com três programas nas costas.
Vida de adulto?
Aí eu chego em casa e tudo o que eu quero assistir é o episódio novo do The OC. E quando eu for pra Sete Lagoas vou continuar escrevendo minhas historinhas.
Vida de criança?
Depois de viver esse tempo todo sozinho, parece que estou ainda mais sozinho do que nunca. Mas não no sentido negativo, de solitário, porque apesar de tudo, apesar de ter demorado um pouco, eu sei que tem gente que fica preocupado comigo, mesmo 700 quilômetros longe. Eu sei que tem gente que pensa se eu estou comendo direito, tem gente que liga pra mim só pra falar que tá tocando a música que eu gosto de madrugada, tem gente que me manda comprar roupa nova depois de ver no programa que eu apresentei com roupa velha...
O maior significado de crescer pra mim, agora, tem sido perceber coisas que eu demorei demais pra ver. Descobri tarde demais que minha casa é o melhor lugar do mundo. Mas não antes de dizer coisas pra pessoas que não mereciam ouvi-las. As coisas? eu já esqueci. Elas não.
Estar em casa, ao lado do pai, da mãe, dos irmãos, é sim a melhor coisa do mundo. E eu não consigo pensar em outras pessoas mais importantes.
A gente é só um conjunto de momentos, sabe? Um conjunto de coisas e lembranças. É isso a base pros nossos atos. Então, acho que eu devo tudo à minha família. Ao meu pai... se hoje o Cinema é importante na minha vida, se hoje trabalhar com isso é o maior sonho, a maior vontade e o maior desejo, é tudo por causa dele. Tudo porque ele me levava na locadora todo sábado e me deixava alugar todos os films que eu quisesse, até esgotar toda a prateleira. É, eu acho que ele nem sabe disso mesmo porque eu nunca disse. A minha mãe que sempre está preocupada com 2000 coisas ao mesmo tempo... obrigado por eu ser uma delas. Tem coisas, mãe, que aos 17 anos a gente não sabe direito ainda. Viver longe de casa não é melhor, só necessário. Eu queria ser criança pra sempre sim, só pra não ter que saber onde está a minha toalha e você me dizer.
E tem a Jane, que mesmo passando as dificuldades da vida ainda é a minha companhia preferida pra ir no shopping, mesmo que for sem dinheiro, só pra ver a vitrine. Ou então pra lembrar quando toca aquela música do Rick Astley que ninguém mais da minha idade conhece. E pra me ligar só pra saber se estou bem e pra cuidar de mim, sendo minha segunda mãe na maior parte do tempo. Tem a Michele... ainda não descobri outra pessoa melhor com quem eu possa assistir um filme só pra discutir no final. E pra discutir filosofia e coisas sérias da vida. E o Jonatas que me salva quando eu preciso de dinheiro e que foi o meu companheiro de quarto por muito tempo e que só agora tá conseguindo um jeito de demonstrar todo o sentimento que guardou numa caixinha por 20 anos.
E tem o resto da minha família, tem o Dinho, a Márcia, o Gugu que me ensinou muita coisa que eu também só fui descobri depois, e ele só tinha uns 4 ou 5 anos na época, tem o Jeferson que é a criança mais doce que eu já vi na vida inteira e que tem o cabelo mais invejável da família. Tem o tiCarmelo que levava a gente pro Cipó e que me fez gostar de "Simon and Garfunkel", tem o Luan e o Léo, que nem sabe que empurrar ele no balanço às vezes é a melhor parte do meu dia.
E tem o Filipe e a amizade incondicional que passa por cima de tudo, sempre, sempre. Tem o Du que é com quem eu pulo e canto naquele show, como se fosse a melhor coisa do mundo. Tem o Rodrigo e nossos filmes de noite, nosso código secreto. Ninguém me entende mais do que ele. Tem o Pedro... Tem a Nathália e o Marcus, que me fazem acreditar que talvez o amor dê certo mas que sempre tem o "se...". Tem o Júnior, exemplo de persistência e competência no trabalho, e o Diogo, que mesmo estando muito, muito, muito longe provam que uma pessoa e o seu sonho não têm fronteiras.
Tem a Amanda, o Gustavo, a Padô, a Nath, o Horeya, a Lo, o Michel, a Priscila... todo mundo tão longe nesse momento, mas que estarão lá no porta-retratos da minha estante pra sempre. Tem a Clá, a Luizinha, a Bel, a Mari, a Deds, a Lolis, a Brunita, a Quel, o Pedro, o Victor, o Terê, o Nuno, a Lygia, a Tetê, o Bruno, a Jenifer, a Gibson, a Carolzinha, a Paulinha, a Sula, o Filipe, a Marina, o Leandro, a Rê, a Drica, a Carol (tão always), a Yayá... todo mundo nesse mesmo curso que vai levar a gente pra algum oceano distante.
Tem a Helena... tem a Ariane...
E tem o povo da TV, que entrou por último na minha vida, mas é quem eu mais tenho visto ultimamente. A Kel Sodré, a Aline, a Lu Antunes, a Lu Carvalho, o Fábio, o Rafa, o Ismael, o Gabriel, a Gidália, a Bia, o Átila, o povo da técnica, os chefes...
É possível ser sozinho desse jeito, é?
Se eu sou criança ou adulto não sei não. Mas pra que descobrir, né? Tá tudo legal do jeito que tá.
Dica de locadora: The family stone (Tudo em família) - Sarah Jessica Parker tenta desesperadamente entrar pra família de seu futuro marido, mas não consegue agrada-los de maneira alguma. Quando o natal se aproxima, ela fica sozinha em território inimigo e convida sua irmã para apoiá-la. Mas nem desconfia que essa família também passa por grandes e difíceis problemas.
Citação: "in my life, i love them more" (In My Life, The Beatles)
Trilha Sonora: All I have to do is dream, by Everly Brothers
Daydream - parte III
Tudo o que Nick menos queria era ser comparado ao irmão. Mas era inevitável. Os dois anos que separaram seus nascimentos não impediram de terem exatamente o mesmo gosto. Nick queria fugir disso, mas não cosneguia evitar. Aquela música que estava tocando agora no rádio ainda era a sua preferida, como havia sido de seu irmão. "All I have to do is dream... dream, dream, dream...", ele cantava baixinho enquanto imaginava o que Oliver faria, como agiria, agora que estava no colegial.
When I want you in my arms
When I want you and all your charms
Whenever I want you
All I have to do is dream
Dream dream dream
When I feel blue in the night
And I need you to hold me tight
Whenever I want youA
ll I have to do is dream
I can make you mineT
aste your lips of wine
Any time, night or day
Only trouble is, gee whiz
I'm dreaming my life away
I need you so that I could die
I love you so and that is why
Whenever I want you
All I have to do is dream
I can make you mine
Taste your lips of wine
Any time night or day
Only trouble is, gee whiz
I'm dreaming my life away
I need you so that I could die
I love you so and that is why
Whenever I want you
All I have to do is dream
Dream dream dream
Dream
Dream dream dream
Dream
When I want you in my arms
When I want you and all your charms
Whenever I want you
All I have to do is dream
Dream dream dream
When I feel blue in the night
And I need you to hold me tight
Whenever I want youA
ll I have to do is dream
I can make you mineT
aste your lips of wine
Any time, night or day
Only trouble is, gee whiz
I'm dreaming my life away
I need you so that I could die
I love you so and that is why
Whenever I want you
All I have to do is dream
I can make you mine
Taste your lips of wine
Any time night or day
Only trouble is, gee whiz
I'm dreaming my life away
I need you so that I could die
I love you so and that is why
Whenever I want you
All I have to do is dream
Dream dream dream
Dream
Dream dream dream
Dream
sexta-feira, junho 29, 2007
Daydream - parte II
Aquele foto no porta-retratos havia sido o seu ídolo por muitos anos. Era dois anos mais velho, mas sempre havia sido o seu grande herói. Depois que ele partiu, a vida nunca mais foi a mesma. Sua família se desfacelou aos poucos. Seu pai sucumbiu à tristeza e foi preciso mudar de cidade para fingir melhor para o filho que restara que estava tudo bem, porque aí Nick não poderia vê-lo chorar todas as noites. Apesar de tudo, Nick sabia que seus pais sentiam falta de Oliver. O que não era muito difícil acreditar era que talvez sentiam mais falta de Oliver do que poderiam sentir do próprio Nick.
Mas Sheryl e Trevor nunca seriam capaz de dizê-lo. Nunca.
Oliver era um garoto perfeito de 16 anos. Atleta, popular, inteligente, com um futuro pela frente, esvaziado pela tragédia de um acidente de carro. Depois disso, Sheryl nunca mais deixara Nick dirigir sem carteira. Mas Nick nem sabia dirigir a própria vida a essa altura do campeonato.
Tudo o que mais importava era Laney. Que amaria Oliver pra sempre.
Mas Sheryl e Trevor nunca seriam capaz de dizê-lo. Nunca.
Oliver era um garoto perfeito de 16 anos. Atleta, popular, inteligente, com um futuro pela frente, esvaziado pela tragédia de um acidente de carro. Depois disso, Sheryl nunca mais deixara Nick dirigir sem carteira. Mas Nick nem sabia dirigir a própria vida a essa altura do campeonato.
Tudo o que mais importava era Laney. Que amaria Oliver pra sempre.
terça-feira, junho 26, 2007
Daydream
a série dá uma paradinha no final do semestre, por causa dos mil trabalhos e provas finais. Mas volta ainda nas férias. Aguarde o próximo episódio. Por enquanto, daydream.
Naquele ano, como em muitos outros, as aulas iam começar no dia seguinte ao seu aniversário. Mas aquele era um aniversário especial para Nick. Não só pelo fato de ter coincidido (fato também não raro) com o dia do Trabalho, mas pelo fato de que faria 15 anos. A idade significava mais coisas para aquele jovem do que para qualquer outro. Eram 15 anos de uma vida de sonhos e vontades, que nem mesmo a dureza da realidade conseguia diminuir. O onirismo de sua vida se encontrava em cada gesto seu, desde que acordava de manhã até o momento em que ia dormir. Era aí que ele sonhava, durante o tempo em que estava acordado. Porque aí sim sonhava um sonho sólido e tinha certeza de que tudo aquilo que vinha durante a noite não eram só desejos inconscientes.
Aos 15 anos, ia começar o colegial. E iria pela primeira vez entrar em Dreamhill High como aluno. E como habitante daquele universo atraente da adolescência. O palco das magníficas histórias que só conhecia pelos filmes e pelos suas próprias histórias, escritas por anos a fio...
Naquele ano, como em muitos outros, as aulas iam começar no dia seguinte ao seu aniversário. Mas aquele era um aniversário especial para Nick. Não só pelo fato de ter coincidido (fato também não raro) com o dia do Trabalho, mas pelo fato de que faria 15 anos. A idade significava mais coisas para aquele jovem do que para qualquer outro. Eram 15 anos de uma vida de sonhos e vontades, que nem mesmo a dureza da realidade conseguia diminuir. O onirismo de sua vida se encontrava em cada gesto seu, desde que acordava de manhã até o momento em que ia dormir. Era aí que ele sonhava, durante o tempo em que estava acordado. Porque aí sim sonhava um sonho sólido e tinha certeza de que tudo aquilo que vinha durante a noite não eram só desejos inconscientes.
Aos 15 anos, ia começar o colegial. E iria pela primeira vez entrar em Dreamhill High como aluno. E como habitante daquele universo atraente da adolescência. O palco das magníficas histórias que só conhecia pelos filmes e pelos suas próprias histórias, escritas por anos a fio...
sábado, junho 02, 2007
6.09 - The Unbearable Lightness of Being
[ The Unbearable Lightness of Being ]
De vez em quando a gente para pra ver o tanto que a lua está bonita. Principalmente essa semana, de lua cheia, de lua azul, de lua mais iluminada que o normal. Era como se fosse um holofote. Como se emitisse mesmo toda aquela claridade. Aí no dia seguinte o entardecer veio amarelo, tingindo tudo o que era possível por entre as frestas da janela. Sabe aquele amarelo de paisagem de outono? Era ele. Talvez mais bonito porque era real e transpunha o plano das fotografias. Cinco horas depois o céu tinha mais estrelas que o comum para o início de junho. Até o frio resolveu tirar o dia de folga, deixando só o seu rastro fresco, pra construir uma noite bonita.
E a gente vive nesse mundo pensando na vida. Acho que a gente pensa demais no sentido de tudo e deixa passar tardes demais. Pra alguns, a leveza da vida é insustentável, mas não é nela que todo mundo quer chegar? É um paradoxo...
Essa semana o psicanalista me abriu os olhos e me fez querer estudar Freud e Foucault. Só pra depois voltar e ver como Nietzsche estava certo.
No filme, a mocinha era o contraponto do médico, o tal sujeito da existência leve. De certa maneira, era ela que insustentava a situação. A vida dela era mais do que um contorno imutável que não se pode colorir. A vida dela era cheia de questionamento, porque ela amava. Aí que confirmei minhas hipóteses de que, para quem não se preocupa em saber quando, como, onde e por que, é bem mais fácil amar (e viver). Porque pra esses, amar é físico, um ato narcisista. É tão incomum que chega a ser ousadia esse amor ser chamado amor.
Mas no final a gente vê que a vida pode ser leve sim. E sustentável. Mas que sorte a de quem consegue encontrar quem amar! Mas que sorte a de quem não deixa passar uma tarde de outono! MAs que sorte a de quem sabe o que é uma lua azul e para pra olhar pra ela! Com ou sem Platão e o seu amor.
Dica de locadora: The unbearable lightness of being (A insustentável leveza do ser) - baseado no livro de Milan Kundera, o filme é gigante, mas traz como protagonistas três dos mais complexos personagens, mesmo que pareçam estereótipos no primeiro momento. O filme abusa dos espelhos, sombras, projeções e reflexos, só pra dizer que até que é possível sustentar a leveza...
Citação: "Hello, stranger" (Natalie Portman, Jane Jones em Closer)
Trilha Sonora: Felicidade Urgente, by Claudio Zolli
De vez em quando a gente para pra ver o tanto que a lua está bonita. Principalmente essa semana, de lua cheia, de lua azul, de lua mais iluminada que o normal. Era como se fosse um holofote. Como se emitisse mesmo toda aquela claridade. Aí no dia seguinte o entardecer veio amarelo, tingindo tudo o que era possível por entre as frestas da janela. Sabe aquele amarelo de paisagem de outono? Era ele. Talvez mais bonito porque era real e transpunha o plano das fotografias. Cinco horas depois o céu tinha mais estrelas que o comum para o início de junho. Até o frio resolveu tirar o dia de folga, deixando só o seu rastro fresco, pra construir uma noite bonita.
E a gente vive nesse mundo pensando na vida. Acho que a gente pensa demais no sentido de tudo e deixa passar tardes demais. Pra alguns, a leveza da vida é insustentável, mas não é nela que todo mundo quer chegar? É um paradoxo...
Essa semana o psicanalista me abriu os olhos e me fez querer estudar Freud e Foucault. Só pra depois voltar e ver como Nietzsche estava certo.
No filme, a mocinha era o contraponto do médico, o tal sujeito da existência leve. De certa maneira, era ela que insustentava a situação. A vida dela era mais do que um contorno imutável que não se pode colorir. A vida dela era cheia de questionamento, porque ela amava. Aí que confirmei minhas hipóteses de que, para quem não se preocupa em saber quando, como, onde e por que, é bem mais fácil amar (e viver). Porque pra esses, amar é físico, um ato narcisista. É tão incomum que chega a ser ousadia esse amor ser chamado amor.
Mas no final a gente vê que a vida pode ser leve sim. E sustentável. Mas que sorte a de quem consegue encontrar quem amar! Mas que sorte a de quem não deixa passar uma tarde de outono! MAs que sorte a de quem sabe o que é uma lua azul e para pra olhar pra ela! Com ou sem Platão e o seu amor.
Dica de locadora: The unbearable lightness of being (A insustentável leveza do ser) - baseado no livro de Milan Kundera, o filme é gigante, mas traz como protagonistas três dos mais complexos personagens, mesmo que pareçam estereótipos no primeiro momento. O filme abusa dos espelhos, sombras, projeções e reflexos, só pra dizer que até que é possível sustentar a leveza...
Citação: "Hello, stranger" (Natalie Portman, Jane Jones em Closer)
Trilha Sonora: Felicidade Urgente, by Claudio Zolli
quinta-feira, maio 24, 2007
Música do dia...
[ Cannonball - Damien Rice ]
Still a little bit of your taste in my mouth
Still a little bit of you laced with my doubt
Still a little hard to say what's going on
Still a little bit of your ghost your witness
Still a little BIT of your face I haven't kissed
You step a little closer EACH DAY
Still I can't SAY what's going on
Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life taught me to die
So it's not hard to fall
When you float like a cannonball
Still a little bit of your song in my ear
Still a little bit of your words I long to hear
You step a little closer TO ME
So close that I can't see what's going on
Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life taught me to die
So it's not hard to fall
When you float like a cannon
Stones taught me to fly
Love taught me to cry
So come on courage!
Teach me to be shy
'Cause it's not hard to fall
And I don't WANNA scare her
It's not hard to fall
And I don't wanna lose
It's not hard to grow
When you know that you just don't know
Still a little bit of your taste in my mouth
Still a little bit of you laced with my doubt
Still a little hard to say what's going on
Still a little bit of your ghost your witness
Still a little BIT of your face I haven't kissed
You step a little closer EACH DAY
Still I can't SAY what's going on
Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life taught me to die
So it's not hard to fall
When you float like a cannonball
Still a little bit of your song in my ear
Still a little bit of your words I long to hear
You step a little closer TO ME
So close that I can't see what's going on
Stones taught me to fly
Love taught me to lie
Life taught me to die
So it's not hard to fall
When you float like a cannon
Stones taught me to fly
Love taught me to cry
So come on courage!
Teach me to be shy
'Cause it's not hard to fall
And I don't WANNA scare her
It's not hard to fall
And I don't wanna lose
It's not hard to grow
When you know that you just don't know
domingo, maio 20, 2007
6.08 - Mulholland Drive
[ Mulholland Drive ]
É como se eu não estivesse estado aqui por uns dias. É como se eu tivesse imaginando tudo desde aquela aula de Linguagens, Tecnologias e Produção de TV e Vídeo (provavelmente me perdi voando enquanto falava o nome da disciplina). É como se eu tivesse ficado lá perdido ouvindo as Bachianas nº4 olhando para o telão onde o Glauber se expressava. Porque foi a primeira vez que eu senti ao mesmo tempo Villa Lobos, Bach, Yo-yo Ma e Glauber Rocha.
É como se fosse fácil imaginar Hannah Arendt como uma pessoa normal, que acorda com preguiça de ir pro trabalho, às vezes. É como se fosse realmente comum uma relação entre Sartre e Simone de Beauvoir. É como se a lágrima que caiu durante a música que tocou no Goodtimes representasse todo o drama que eu já digeri na vida, de Shakespeare a Manoel Carlos. Porque ainda consigo sentir a emoção do letrista pouco inspirado e dos sintetizadores de duas décadas atrás.
É como se eu estivesse dormindo, naqueles dias que a gente não se lembra do sonho quando acorda. É como se eu não soubesse mais a diferença entre Einstein e Eisenstein. Porque cada cena do filme do David Lynch me fazia pensar que ainda há muito o que saber o vão entre o céu e a terra. E nem toda filosofia é assim tão vã. Vamos.
É como se o show tivesse sido um intervalo entre os blocos dessa obra dramatúrgica. É como se a banda que tocou "Sweet Child O'Mine" e "Se ela dança, eu danço" no mesmo palco fosse só uma coisa que eu imaginei.
E qual é o verdadeiro significado disso tudo hem?
Gente do céu, esse trem tem cada vez menos sentido. A culpa é sua? Não, não. Minha e de meus dezenove anos mal(?)vividos.
Dica de locadora: Mulholland Drive (Cidade dos Sonhos) - Esqueçam qualquer sinopse que encontrarem por aí na internet que tenha menos de 1000 palavras. Adoro filmes difíceis de terem um "sobre" na descrição. Cidade dos Sonhos tem Naomi Watts dirigida por David Lynch, numa história no mínimo curiosa.
Citação: ok, sem frases hoje.
Trilha Sonora: Against All Odds, by Phill Collins
É como se eu não estivesse estado aqui por uns dias. É como se eu tivesse imaginando tudo desde aquela aula de Linguagens, Tecnologias e Produção de TV e Vídeo (provavelmente me perdi voando enquanto falava o nome da disciplina). É como se eu tivesse ficado lá perdido ouvindo as Bachianas nº4 olhando para o telão onde o Glauber se expressava. Porque foi a primeira vez que eu senti ao mesmo tempo Villa Lobos, Bach, Yo-yo Ma e Glauber Rocha.
É como se fosse fácil imaginar Hannah Arendt como uma pessoa normal, que acorda com preguiça de ir pro trabalho, às vezes. É como se fosse realmente comum uma relação entre Sartre e Simone de Beauvoir. É como se a lágrima que caiu durante a música que tocou no Goodtimes representasse todo o drama que eu já digeri na vida, de Shakespeare a Manoel Carlos. Porque ainda consigo sentir a emoção do letrista pouco inspirado e dos sintetizadores de duas décadas atrás.
É como se eu estivesse dormindo, naqueles dias que a gente não se lembra do sonho quando acorda. É como se eu não soubesse mais a diferença entre Einstein e Eisenstein. Porque cada cena do filme do David Lynch me fazia pensar que ainda há muito o que saber o vão entre o céu e a terra. E nem toda filosofia é assim tão vã. Vamos.
É como se o show tivesse sido um intervalo entre os blocos dessa obra dramatúrgica. É como se a banda que tocou "Sweet Child O'Mine" e "Se ela dança, eu danço" no mesmo palco fosse só uma coisa que eu imaginei.
E qual é o verdadeiro significado disso tudo hem?
Gente do céu, esse trem tem cada vez menos sentido. A culpa é sua? Não, não. Minha e de meus dezenove anos mal(?)vividos.
Dica de locadora: Mulholland Drive (Cidade dos Sonhos) - Esqueçam qualquer sinopse que encontrarem por aí na internet que tenha menos de 1000 palavras. Adoro filmes difíceis de terem um "sobre" na descrição. Cidade dos Sonhos tem Naomi Watts dirigida por David Lynch, numa história no mínimo curiosa.
Citação: ok, sem frases hoje.
Trilha Sonora: Against All Odds, by Phill Collins
sábado, maio 05, 2007
6.07 - Sense and Sensibility
[ Sense and Sensibility ]
ou "não espere que faça sentido, por favor"
Aquele "19" ali do lado do meu nome me assusta. Não me sinto 19. Nunca quis ter 19, nem pensava no que significaria o 19 pra mim. Agora talvez eu tenha percebido que o 19 é resultado de um processo que começou ainda pelos meados do 18. Olha quanta coisa aconteceu nesses últimos 4 meses. Hoje eu sou apresentador de um programa de TV.
Hoje eu sou tanta coisa (e a minha lista de "coisas a se fazer aos 18 anos" só deve ter uns dois itens riscados).
Acho que tudo isso faz parte do caminho que todos nós passamos, de Eduardo a Mônica. Até ontem eu tava no esquema escola, cinema, clube, televisão (substituindo o clube pela internet, que estaria nessa lista se o Renato Russo tivesse chegado a ver o fenômeno que é o Orkut e o MSN). E hoje eu gosto de Bandeira, de Bauhaus, Van Gogh, Mutantes, Caetano e Rimbaud. Ou tudo isso aí ao mesmo tempo. Ou nada disso aí em tempo nenhum. Ou fora do tempo, sei lá.
Definir-se é missão difícil, já que todo ser humano não passa de um bocado de momentos. Definir-se é limitar-se. Definir-se é não se permitir cometer contradições e "clicherizar". Quem aí não "clicheriza", hem? Definir-se é colocar pontos finais e pôr vírgulas entre sujeito e predicado.
19 anos e eu ainda sou o mesmo (será?). Cada dia que eu vejo um filme novo eu sinto que é o que eu quero fazer pro resto da vida. Quando o filme é bom, me instiga à genialidade. Quando o filme é ruim, eu penso que faria melhor. Meu sonho ainda é esse, apessar disso ser só sonho. Ainda gosto demais (e ainda mais) de música velha. Alguém falou que "o homem que não sabe o que aconteceu antes dele nascer será pra sempre uma criança". Ainda gosto de história e de filosofia. Ainda gosto de cantar alto, com um playback no meu fone de ouvido. Ainda quero ler tantos livros... tantos... Ainda quero devorar tanta arte até que eu tenha em mim tantos quantos foram os séculos iluminados.
(Ouvir música ainda me faz chorar, mais do que qualquer outra coisa no planeta.)
Falta tanto ainda. Falta carteira de motorista, falta o carro pra dirigir, falta o dinheiro pra pagar o filme alugado, falta coragem pra ir lá e dizer o que deve ser dito, falta um "você" pra completar o "nós". Falta sentido, hem.
Me recuso a ser definido. E ainda menos definitivo. Quero só ter o prazer de mudar o meu jeito de pensar e de continuar sendo contraditório. Quero só falar inglês quando me der vontade e quando me faltar erudição pra conhecer palavras no português que me satisfaçam. Quero ter 19 personalidades, passar 19 dias num navio e 19 noites na prisão.
Quero ainda encontrar um sentido para a vida antes que o texto acabe. E, por Deus do céu, encontrar um sentido pra esse texto antes que a vida acabe.
Acho que eu tenho 19 anos agora. Me dá mais 19 anos pra me acostumar, ok?
Hoje à noite eu só vou comer meu jantar, tentar cantar no tom e assistir um Kubrick. Amanhã eu penso nos 19.
Dica de locadora: Sense and Sensibility (Razão e Sensibilidade) - O romance de Jane Austen adaptado para o cinema traz Emma Thompson e Kate Winslet como duas adoráveis e diferentes irmãs e a sociedade inglesa do século 18. Primeiro a gente pensa que cada uma delas é um termo do título. Mas aí vemos que as duas são razão e sensibilidade, ao mesmo tempo. Só vendo...
Citação: "A vida que eu levo, nego pensa que é fácil" (Kelly Key)
Trilha Sonora: Mr. Brightside, by The Killers
ou "não espere que faça sentido, por favor"
Aquele "19" ali do lado do meu nome me assusta. Não me sinto 19. Nunca quis ter 19, nem pensava no que significaria o 19 pra mim. Agora talvez eu tenha percebido que o 19 é resultado de um processo que começou ainda pelos meados do 18. Olha quanta coisa aconteceu nesses últimos 4 meses. Hoje eu sou apresentador de um programa de TV.
Hoje eu sou tanta coisa (e a minha lista de "coisas a se fazer aos 18 anos" só deve ter uns dois itens riscados).
Acho que tudo isso faz parte do caminho que todos nós passamos, de Eduardo a Mônica. Até ontem eu tava no esquema escola, cinema, clube, televisão (substituindo o clube pela internet, que estaria nessa lista se o Renato Russo tivesse chegado a ver o fenômeno que é o Orkut e o MSN). E hoje eu gosto de Bandeira, de Bauhaus, Van Gogh, Mutantes, Caetano e Rimbaud. Ou tudo isso aí ao mesmo tempo. Ou nada disso aí em tempo nenhum. Ou fora do tempo, sei lá.
Definir-se é missão difícil, já que todo ser humano não passa de um bocado de momentos. Definir-se é limitar-se. Definir-se é não se permitir cometer contradições e "clicherizar". Quem aí não "clicheriza", hem? Definir-se é colocar pontos finais e pôr vírgulas entre sujeito e predicado.
19 anos e eu ainda sou o mesmo (será?). Cada dia que eu vejo um filme novo eu sinto que é o que eu quero fazer pro resto da vida. Quando o filme é bom, me instiga à genialidade. Quando o filme é ruim, eu penso que faria melhor. Meu sonho ainda é esse, apessar disso ser só sonho. Ainda gosto demais (e ainda mais) de música velha. Alguém falou que "o homem que não sabe o que aconteceu antes dele nascer será pra sempre uma criança". Ainda gosto de história e de filosofia. Ainda gosto de cantar alto, com um playback no meu fone de ouvido. Ainda quero ler tantos livros... tantos... Ainda quero devorar tanta arte até que eu tenha em mim tantos quantos foram os séculos iluminados.
(Ouvir música ainda me faz chorar, mais do que qualquer outra coisa no planeta.)
Falta tanto ainda. Falta carteira de motorista, falta o carro pra dirigir, falta o dinheiro pra pagar o filme alugado, falta coragem pra ir lá e dizer o que deve ser dito, falta um "você" pra completar o "nós". Falta sentido, hem.
Me recuso a ser definido. E ainda menos definitivo. Quero só ter o prazer de mudar o meu jeito de pensar e de continuar sendo contraditório. Quero só falar inglês quando me der vontade e quando me faltar erudição pra conhecer palavras no português que me satisfaçam. Quero ter 19 personalidades, passar 19 dias num navio e 19 noites na prisão.
Quero ainda encontrar um sentido para a vida antes que o texto acabe. E, por Deus do céu, encontrar um sentido pra esse texto antes que a vida acabe.
Acho que eu tenho 19 anos agora. Me dá mais 19 anos pra me acostumar, ok?
Hoje à noite eu só vou comer meu jantar, tentar cantar no tom e assistir um Kubrick. Amanhã eu penso nos 19.
Dica de locadora: Sense and Sensibility (Razão e Sensibilidade) - O romance de Jane Austen adaptado para o cinema traz Emma Thompson e Kate Winslet como duas adoráveis e diferentes irmãs e a sociedade inglesa do século 18. Primeiro a gente pensa que cada uma delas é um termo do título. Mas aí vemos que as duas são razão e sensibilidade, ao mesmo tempo. Só vendo...
Citação: "A vida que eu levo, nego pensa que é fácil" (Kelly Key)
Trilha Sonora: Mr. Brightside, by The Killers
segunda-feira, abril 23, 2007
6.06 - The Lonely Guy
[ The Lonely Guy ]
Nem me pergunte por que, mas acabou de me bater uma tristeza. Aí, como já to sentado aqui mesmo, esperando dar a hora de ir para o trabalho, aproveito e escrevo. Esse espaço em branco onde a gente escreve a postagem é o espaço em branco mais compreensível da face da terra
To com uma tristeza esquisita, uma vontade louca de só ficar quieto e deixar a lágrima sair, se ela quiser. Uma tristeza daquelas que nem a mãe da gente entende, muito menos a gente mesmo.
Semana passada eu senti pela primeira vez que tá na hora de crescer. Eu já aprendi a pagar minhas contas, a ir no banco, a fazer minha própria matrícula na faculdade e até minhas próprias contas, mas faltava aprender a cuidar de mim mesmo quando eu ficar doente. E talvez por vergonha disso eu não liguei pra minha mãe e fiquei sofrendo aquilo sozinho mesmo, porque nem remédio eu tinha em casa. Será que é isso que o pessoal por aí reclama quando cantam a solidão?
Mas ainda não sei se essa tristeza é por causa disso. Eu estou conseguindo evoluir lá na TV, finalmente! Eu deveria estar pulando!
E ontem ela me ligou e a gente só não conversou mais porque a minha timidez não permitiu que eu ignorasse que minha família toda estava logo atrás da porta e podia ouvir o que eu ia falar - e com certeza era bobagem. Era pra eu estar morrendo de alegria. E estava. Mas agora estou triste.
Será que se ela soubesse que às vezes eu tenho essas crises de tristeza ela ainda teria me ligado ontem? Será que se ela conhecesse meus defeitos seria a mesma coisa?
E ela nem sabe que só um comentariozinho dela à toa me fez dar um valor imenso pra minha família e ver que eles são bem mais importantes pra mim do que eu pensei e que nos últimos 18 (quase dezenove, meu jesus...) anos eu vivi sem perceber isso.
Eu acho que eu preciso dar uma consultada no espelho e dar um jeito nessa minha vida. Talvez essa tristeza seja um sinal pra me avisar que eu estou vivendo uma vida normal. E eu não nasci pra ser (só) normal.
Dica de locadora: The lonely Guy (O rapaz solitário) - Após flagrar sua namorada com outro homem, um escritor decide fazer um livro falando sobre como é ser solitário. Dirigido por Arthur Hiller (Love Story) e com Steve Martin e Charles Grodin no elenco.
Citação: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" (Saint-Exupery)
Trilha Sonora: I've been waitin', by Sixpence none the richer
Nem me pergunte por que, mas acabou de me bater uma tristeza. Aí, como já to sentado aqui mesmo, esperando dar a hora de ir para o trabalho, aproveito e escrevo. Esse espaço em branco onde a gente escreve a postagem é o espaço em branco mais compreensível da face da terra
To com uma tristeza esquisita, uma vontade louca de só ficar quieto e deixar a lágrima sair, se ela quiser. Uma tristeza daquelas que nem a mãe da gente entende, muito menos a gente mesmo.
Semana passada eu senti pela primeira vez que tá na hora de crescer. Eu já aprendi a pagar minhas contas, a ir no banco, a fazer minha própria matrícula na faculdade e até minhas próprias contas, mas faltava aprender a cuidar de mim mesmo quando eu ficar doente. E talvez por vergonha disso eu não liguei pra minha mãe e fiquei sofrendo aquilo sozinho mesmo, porque nem remédio eu tinha em casa. Será que é isso que o pessoal por aí reclama quando cantam a solidão?
Mas ainda não sei se essa tristeza é por causa disso. Eu estou conseguindo evoluir lá na TV, finalmente! Eu deveria estar pulando!
E ontem ela me ligou e a gente só não conversou mais porque a minha timidez não permitiu que eu ignorasse que minha família toda estava logo atrás da porta e podia ouvir o que eu ia falar - e com certeza era bobagem. Era pra eu estar morrendo de alegria. E estava. Mas agora estou triste.
Será que se ela soubesse que às vezes eu tenho essas crises de tristeza ela ainda teria me ligado ontem? Será que se ela conhecesse meus defeitos seria a mesma coisa?
E ela nem sabe que só um comentariozinho dela à toa me fez dar um valor imenso pra minha família e ver que eles são bem mais importantes pra mim do que eu pensei e que nos últimos 18 (quase dezenove, meu jesus...) anos eu vivi sem perceber isso.
Eu acho que eu preciso dar uma consultada no espelho e dar um jeito nessa minha vida. Talvez essa tristeza seja um sinal pra me avisar que eu estou vivendo uma vida normal. E eu não nasci pra ser (só) normal.
Dica de locadora: The lonely Guy (O rapaz solitário) - Após flagrar sua namorada com outro homem, um escritor decide fazer um livro falando sobre como é ser solitário. Dirigido por Arthur Hiller (Love Story) e com Steve Martin e Charles Grodin no elenco.
Citação: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" (Saint-Exupery)
Trilha Sonora: I've been waitin', by Sixpence none the richer
sexta-feira, abril 06, 2007
6.05 - A Walk To Remember
[ A Walk To Remember ]
E aí naquele dia eu cheguei mais tarde do serviço pra encontrar uma casa vazia. Era o meu dia de
faxina. Eu poderia simplesmente ignorar as tarefas, já que ninguém mais ia voltar para o apartamento até na próxima segunda. Mas eu limpei tudo, me dediquei completamente. E intensamente. No final da noite, me preparando para ir para o banho antes de dormir eu abri um pouco a janela. O vento estava frio e eu pude senti-lo ainda mais forte inclinando a cabeça para fora. Da minha janela dá pra ver uma das avenidas mais movimentadas de Belo Horizonte (mesmo depois da meia noite), e também outros prédios, e a distância que uma vista do alto do sétimo andar pode alcançar. Mas naquele momento tudo o que importava era o vento. Já fazia muito tempo que o vento não balançava daquele jeito o meu cabelo. Aí a música que ficou na minha cabeça o dia inteiro tocou no rádio, de repente.E talvez eu tenha tido o meu melhor sono desde que me mudei para Belo Horizonte.Talvez eu tenha sonhado, mas não consegui me lembrar de nada.
No dia seguinte eu pensei demais, encarei o espelho e comecei a perceber a minha realidade. Eu vi uma pessoa no meio de um processo intenso, com tanta coisa na cabeça ao mesmo tempo que é estranho que ainda consiga tempo para os sentimentos. Mas mesmo assim os sentimentos ainda ocupam quase completamente a minha vida no momento. Conversei com o Marcus por algum tempo, o suficiente para repensar o que eu tenho feito e como eu tenho agido. Talvez seja hora de não me apegar demais. Talvez tenha chegado o momento de eu provar que eu cresci, pelo menos nesse âmbito.
O que será que ela pensa sobre isso tudo? É uma coisa que eu não vou conseguir saber. Talvez eu me afaste dela, ou talvez mude de idéia daqui dez segundos. Mas o certo é que alguma coisa aconteceu. Alguma coisa naquele vento me fez mudar e perceber que tudo o que eu preciso é um pouco de paciência. Não se trata de desistir, mas de mudar a estratégia. Talvez eu seja mesmo forçado, talvez eu acredite no exagero, talvez eu tenha mesmo passado do ponto enviando tantos sinais, talvez isso só compense a minha fraqueza, talvez sejam só palavras ao vento, talvez nenhuma daquelas mensagens seja real. Talvez eu soe falso demais, talvez eu seja imaturo, talvez não saiba nunca o que dizer. Talvez eu nunca aprenda e talvez nem exista alguém certo pra mim.
Mas talvez, vai vendo, assim... quem sabe... por um momento... talvez... seja ELA.
E o filme me emocionou mais do que eu estava preparado. Nada de tão especial, na verdade até bem comum... mas eu acho que é exatamente o que eu faria...
Dica de locadora: A walk to remember (Um amor para recordar) - Mandy Moore e Shane West em um dos maiores clichês da história do cinema, e talvez uma das histórias de amor mais bonitas. Para quem não sabe, foi essa história que inspirou a fase 2004 da Malhação. Ela é a filha do reverendo e ele é o malandro da cidade. Inadvertidamente, uma série de acontecimento os leva ao amor.
Citação: "todas as canções irão dizer: goodbye, so long, my love..." (É tarde, Skank)
Trilha Sonora: To be only yours, by Mandy Moore
E aí naquele dia eu cheguei mais tarde do serviço pra encontrar uma casa vazia. Era o meu dia de
faxina. Eu poderia simplesmente ignorar as tarefas, já que ninguém mais ia voltar para o apartamento até na próxima segunda. Mas eu limpei tudo, me dediquei completamente. E intensamente. No final da noite, me preparando para ir para o banho antes de dormir eu abri um pouco a janela. O vento estava frio e eu pude senti-lo ainda mais forte inclinando a cabeça para fora. Da minha janela dá pra ver uma das avenidas mais movimentadas de Belo Horizonte (mesmo depois da meia noite), e também outros prédios, e a distância que uma vista do alto do sétimo andar pode alcançar. Mas naquele momento tudo o que importava era o vento. Já fazia muito tempo que o vento não balançava daquele jeito o meu cabelo. Aí a música que ficou na minha cabeça o dia inteiro tocou no rádio, de repente.E talvez eu tenha tido o meu melhor sono desde que me mudei para Belo Horizonte.Talvez eu tenha sonhado, mas não consegui me lembrar de nada.
No dia seguinte eu pensei demais, encarei o espelho e comecei a perceber a minha realidade. Eu vi uma pessoa no meio de um processo intenso, com tanta coisa na cabeça ao mesmo tempo que é estranho que ainda consiga tempo para os sentimentos. Mas mesmo assim os sentimentos ainda ocupam quase completamente a minha vida no momento. Conversei com o Marcus por algum tempo, o suficiente para repensar o que eu tenho feito e como eu tenho agido. Talvez seja hora de não me apegar demais. Talvez tenha chegado o momento de eu provar que eu cresci, pelo menos nesse âmbito.
O que será que ela pensa sobre isso tudo? É uma coisa que eu não vou conseguir saber. Talvez eu me afaste dela, ou talvez mude de idéia daqui dez segundos. Mas o certo é que alguma coisa aconteceu. Alguma coisa naquele vento me fez mudar e perceber que tudo o que eu preciso é um pouco de paciência. Não se trata de desistir, mas de mudar a estratégia. Talvez eu seja mesmo forçado, talvez eu acredite no exagero, talvez eu tenha mesmo passado do ponto enviando tantos sinais, talvez isso só compense a minha fraqueza, talvez sejam só palavras ao vento, talvez nenhuma daquelas mensagens seja real. Talvez eu soe falso demais, talvez eu seja imaturo, talvez não saiba nunca o que dizer. Talvez eu nunca aprenda e talvez nem exista alguém certo pra mim.
Mas talvez, vai vendo, assim... quem sabe... por um momento... talvez... seja ELA.
E o filme me emocionou mais do que eu estava preparado. Nada de tão especial, na verdade até bem comum... mas eu acho que é exatamente o que eu faria...
Dica de locadora: A walk to remember (Um amor para recordar) - Mandy Moore e Shane West em um dos maiores clichês da história do cinema, e talvez uma das histórias de amor mais bonitas. Para quem não sabe, foi essa história que inspirou a fase 2004 da Malhação. Ela é a filha do reverendo e ele é o malandro da cidade. Inadvertidamente, uma série de acontecimento os leva ao amor.
Citação: "todas as canções irão dizer: goodbye, so long, my love..." (É tarde, Skank)
Trilha Sonora: To be only yours, by Mandy Moore
terça-feira, abril 03, 2007
6.04 - A Lot Like Love
[ A Lot Like Love ]
Ele acorda todos os dias às 6:30 da manhã e cada segundo que passa antes que eles troquem a primeira palavra no meio do dia é tempo perdido (e perde tempo demais). Ela passa dias fingindo ignorar que ele existe.
Ele acha que talvez ela seja misteriosa demais. Ela acha que ele pergunta demais.
Ela gosta de Led Zeppelin e ele acha fantástico. Ele gosta de Madonna e ela acha que ele pode ser gay.
Ele acha que não é interessante o bastante. Ela sabe que não.
Ele ama o filme do Johnny Cash. Ela já viu 3 vezes.
Ele sonha em voar para a Nova Zelândia e ela só lhe dá asas.
Ele chegou a quase desistir de sonhos, mas aí ela apareceu.
Ele fala demais. Ela não lhe manda calar a boca (e por isso ele gosta tanto dela).
Ele não sabia muito bem o que estava acontecendo dentro dele, e ela nem imagina que é a resposta.
Ele ignora o que ela pensa. Ela finge ignorar o que sabe dele.
Ele sempre esperou encontrar alguém como ela. Ela tinha certeza que nunca ia encontrar alguém que gostasse de Bob Dylan na cidade.
Ele não gosta nada do que o espelho lhe diz. Ela só tem boas notícias do espelho.
Ele se acha pouco, mas quer melhorar. Ela é muito.
Ele está crescendo. Ela é do tamanho de uma estrela brilhando.
Ele só sabe aprender com o erro. Ela nunca erra.
Ele é triste e solitário. Ela é um grande sorriso.
Ele pensa sempre em desistir. Ela é uma tentativa.
Ele talvez não seja nada que pensa que é. Ela é tudo o que ele precisa.
Dica de locadora: A lot like love (De repente é amor) - Oliver (Ashton Kutcher) e Emily (Amanda Peet) se conhecem em um vôo que cruza os Estados Unidos. Ele é um recém-formado que procura seguir um cronograma rígido para sua vida, de forma que consiga alcançar o sucesso profissional o mais rapidamente possível e também encontrar o amor de sua vida. Já ela é espontânea e indisciplinada, do tipo que prefere ver aonde a vida leva ao invés de fazer planos para o futuro. Oliver e Emily imediatamente sentem atração um pelo outro, mas as características de ambos são incompatíveis. Durante os 7 anos seguintes eles se encontram periodicamente, mas tudo parece conspirar para que eles sempre estejam separados.
Citação: "They say opposites attract. She is really something and I am nothing. How much opposite can we get?" (Charlie Brown, Peanuts, by Schulz)
Trilha Sonora: Just Feel Better, by Aerosmith
Ele acorda todos os dias às 6:30 da manhã e cada segundo que passa antes que eles troquem a primeira palavra no meio do dia é tempo perdido (e perde tempo demais). Ela passa dias fingindo ignorar que ele existe.
Ele acha que talvez ela seja misteriosa demais. Ela acha que ele pergunta demais.
Ela gosta de Led Zeppelin e ele acha fantástico. Ele gosta de Madonna e ela acha que ele pode ser gay.
Ele acha que não é interessante o bastante. Ela sabe que não.
Ele ama o filme do Johnny Cash. Ela já viu 3 vezes.
Ele sonha em voar para a Nova Zelândia e ela só lhe dá asas.
Ele chegou a quase desistir de sonhos, mas aí ela apareceu.
Ele fala demais. Ela não lhe manda calar a boca (e por isso ele gosta tanto dela).
Ele não sabia muito bem o que estava acontecendo dentro dele, e ela nem imagina que é a resposta.
Ele ignora o que ela pensa. Ela finge ignorar o que sabe dele.
Ele sempre esperou encontrar alguém como ela. Ela tinha certeza que nunca ia encontrar alguém que gostasse de Bob Dylan na cidade.
Ele não gosta nada do que o espelho lhe diz. Ela só tem boas notícias do espelho.
Ele se acha pouco, mas quer melhorar. Ela é muito.
Ele está crescendo. Ela é do tamanho de uma estrela brilhando.
Ele só sabe aprender com o erro. Ela nunca erra.
Ele é triste e solitário. Ela é um grande sorriso.
Ele pensa sempre em desistir. Ela é uma tentativa.
Ele talvez não seja nada que pensa que é. Ela é tudo o que ele precisa.
Dica de locadora: A lot like love (De repente é amor) - Oliver (Ashton Kutcher) e Emily (Amanda Peet) se conhecem em um vôo que cruza os Estados Unidos. Ele é um recém-formado que procura seguir um cronograma rígido para sua vida, de forma que consiga alcançar o sucesso profissional o mais rapidamente possível e também encontrar o amor de sua vida. Já ela é espontânea e indisciplinada, do tipo que prefere ver aonde a vida leva ao invés de fazer planos para o futuro. Oliver e Emily imediatamente sentem atração um pelo outro, mas as características de ambos são incompatíveis. Durante os 7 anos seguintes eles se encontram periodicamente, mas tudo parece conspirar para que eles sempre estejam separados.
Citação: "They say opposites attract. She is really something and I am nothing. How much opposite can we get?" (Charlie Brown, Peanuts, by Schulz)
Trilha Sonora: Just Feel Better, by Aerosmith
quinta-feira, março 22, 2007
Pausa para o café...
Difícil era acreditar que isso ia acontecer de novo. E exatamente da mesma forma das anteriores, mas com uma intensidade maior. E diferente.
Difícil é pensar que talvez possa dar certo, depois de tantas tentativas frustradas...
Difícil é acreditar que finalmente eu canto aquelas músicas de novo, cantando bem alto sem me preocupar com o pessoal do apartamento do lado. E talvez eu esteja até feliz.
Difícil é acreditar que eu não estou preocupado nem um pouquinho com o que pode acontecer nos próximos dias, porque o dia de hoje foi melhor do que o de ontem e eu sou otimista o bastante pra acreditar que isso vai durar.
Difícil é acreditar que finalmente alguém ocupou aquele espaço vago aqui dentro.
Difícil demais vai ser eu acordar desse sonho, quando finalmente eu conseguir colocar os pés no chão e perceber que tudo não passou de um delírio. E talvez eu queira permanecer sonhando...
Mas mais difícil do que tudo isso é ficar um dia inteiro sem pelo menos te dizer um "oi" e esperar ansiosa e deliciosamente pela sua resposta.
"por onde andei enquanto você me procurava?
será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava?"
Difícil é pensar que talvez possa dar certo, depois de tantas tentativas frustradas...
Difícil é acreditar que finalmente eu canto aquelas músicas de novo, cantando bem alto sem me preocupar com o pessoal do apartamento do lado. E talvez eu esteja até feliz.
Difícil é acreditar que eu não estou preocupado nem um pouquinho com o que pode acontecer nos próximos dias, porque o dia de hoje foi melhor do que o de ontem e eu sou otimista o bastante pra acreditar que isso vai durar.
Difícil é acreditar que finalmente alguém ocupou aquele espaço vago aqui dentro.
Difícil demais vai ser eu acordar desse sonho, quando finalmente eu conseguir colocar os pés no chão e perceber que tudo não passou de um delírio. E talvez eu queira permanecer sonhando...
Mas mais difícil do que tudo isso é ficar um dia inteiro sem pelo menos te dizer um "oi" e esperar ansiosa e deliciosamente pela sua resposta.
"por onde andei enquanto você me procurava?
será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava?"
segunda-feira, março 19, 2007
6.03 - It Happened One Night
[ It happened one night ]
Eu sempre gostei de viajar. E, mesmo naquelas viagens bem grandes, pra um lugar muito especial que eu estou louco pra ir, a minha parte preferida é a estrada. Sentir o cheiro da estrada, das árvores, até da gasolina queimada, tudo isso me faz sentir uma felicidade única, uma coisa tão íntima que chega a ser confessional nesse momento.
Às vezes eu tenho preguiça de viver, sabe? De ter que encarar a semana inteira de faculdade e trabalho pra depois pegar duzendos ônibus e chegar em Sete Lagoas. Dormir um dia, ou dois, e recomeçar. pegar os mesmos duzentos ônibus de volta. Isso demanda um esforço gigante (deixando nesse momento o "podia ser bem pior" de lado). É praticamente perder o dia todo viajando. Só de pensar que isso ainda vai durar pelo menos mais três anos é meio desanimador.
Mas eu meio que esqueço de tudo quando estou na estrada. E lá, com o meu fone de ouvido pendurado ou não, é que eu me sinto feliz. Feliz mesmo, daquele jeito cinematográfico, com direito a sorriso espontâneo, olhos fechados e respiração profunda (eu poderia atá abrir os braços e gritar "yuhuu", mas eu estou dentro de um ônibus, né...).
Por isso que eu não morro sem fazer um road movie. E por isso que eu tendo a gostar de road movies. Afinal, é assim que a vida corre, né? Na velocidade máxima que um motor pode alcançar. Às vezes a estrada tem limite de velocidade, às vezes leva-se multas, mas o prazer de sentir o vento no rosto compensa tudo isso.
Dica de locadora: It happened one night (Aconteceu naquela noite) - Uma jovem mimada resolve fugir de casa após seu pai não concordar que ela se case com um playboy. É quando ela encontra um charmoso jornalista que acaba lhe passando algumas lições de vida. Idéia pouco original. Mas estamos em 1934 e o diretor é Frank Capra, ou seja, obra prima.
Citação: "Country road, take me home to the place I belong" ("Country Road")
Trilha Sonora: That's the way the world goes 'round, by Norah Jones
Eu sempre gostei de viajar. E, mesmo naquelas viagens bem grandes, pra um lugar muito especial que eu estou louco pra ir, a minha parte preferida é a estrada. Sentir o cheiro da estrada, das árvores, até da gasolina queimada, tudo isso me faz sentir uma felicidade única, uma coisa tão íntima que chega a ser confessional nesse momento.
Às vezes eu tenho preguiça de viver, sabe? De ter que encarar a semana inteira de faculdade e trabalho pra depois pegar duzendos ônibus e chegar em Sete Lagoas. Dormir um dia, ou dois, e recomeçar. pegar os mesmos duzentos ônibus de volta. Isso demanda um esforço gigante (deixando nesse momento o "podia ser bem pior" de lado). É praticamente perder o dia todo viajando. Só de pensar que isso ainda vai durar pelo menos mais três anos é meio desanimador.
Mas eu meio que esqueço de tudo quando estou na estrada. E lá, com o meu fone de ouvido pendurado ou não, é que eu me sinto feliz. Feliz mesmo, daquele jeito cinematográfico, com direito a sorriso espontâneo, olhos fechados e respiração profunda (eu poderia atá abrir os braços e gritar "yuhuu", mas eu estou dentro de um ônibus, né...).
Por isso que eu não morro sem fazer um road movie. E por isso que eu tendo a gostar de road movies. Afinal, é assim que a vida corre, né? Na velocidade máxima que um motor pode alcançar. Às vezes a estrada tem limite de velocidade, às vezes leva-se multas, mas o prazer de sentir o vento no rosto compensa tudo isso.
Dica de locadora: It happened one night (Aconteceu naquela noite) - Uma jovem mimada resolve fugir de casa após seu pai não concordar que ela se case com um playboy. É quando ela encontra um charmoso jornalista que acaba lhe passando algumas lições de vida. Idéia pouco original. Mas estamos em 1934 e o diretor é Frank Capra, ou seja, obra prima.
Citação: "Country road, take me home to the place I belong" ("Country Road")
Trilha Sonora: That's the way the world goes 'round, by Norah Jones
sexta-feira, março 02, 2007
6.02 - Little Manhattan
[ Little Manhattan ]
E de repente o filme me fez pensar. E talvez pensar mais na minha própria vida mais do que qualquer outro filme. O responsável por isso foi “Little Manhattan”, uma despretensiosa história sobre um garoto de 10 anos que se apaixona pela sua companheira de caratê, de 11 anos. Tudo no filme soa tão real, mesmo na mais bizarra das cenas, em que a consciência do garoto (na forma de um mestre oriental das artes marciais) aparece para o menino, lhe dando conselhos sobre beijar ou não a garota durante um treino (algo como o Mundo de Bobby em ação real). É tudo tão plausível, tudo tão doce e tudo tão infantil. Acho que ninguém deveria perder esse sabor doce que a gente sente quando é criança e se apaixona pela primeira vez. Quem é que não disse as coisas erradas na hora errada? Quem é que não ficou sem ação, sem saber como agir diante daquela pessoa especial? Quando se é criança, as barreiras são tão grandes. Tem a insegurança, tem o medo da rejeição, a dúvida… E não somos sempre assim mesmo depois de crescidos? Você aí pode até dizer que a diferença é que o amor infantil passa logo. Pois eu digo que fica, e dura tanto quanto qualquer outro amor, proporcionalmente falando.
Talvez sejamos até mais fortes aos 10 anos. Talvez consigamos enfrentar melhor as vicissitudes do amor e conseguir superar. É óbvio que também é muito mais difícil assumir os nossos sentimentos, pois ainda não se sabe o que fazer com eles. Mas falando sério, quando é que se sabe?
Só temos a aprender com essas crianças e seus amores, e valoriza-los um pouco mais. Quem sabe assim nossas vidas amorosas pseudomaduras seriam bem melhores…
Pode haver outros amores, maiores e melhores, mas nunca outro primeiro amor.
Dica de locadora: Little Manhattan (ABC do Amor) - é a tal história do garotinho de 10 anos tentnado viver uma história de amor na grande maçã (apesar de que sua mãe só o deixa ir até a rua 72)
Citação: "Esta vida é um punhal de dois gumes fatais: não amar é sofrer; amar é sofrer mais." (Menotti del Picchia)
Trilha Sonora: Cannonball, by Damien Rice
E de repente o filme me fez pensar. E talvez pensar mais na minha própria vida mais do que qualquer outro filme. O responsável por isso foi “Little Manhattan”, uma despretensiosa história sobre um garoto de 10 anos que se apaixona pela sua companheira de caratê, de 11 anos. Tudo no filme soa tão real, mesmo na mais bizarra das cenas, em que a consciência do garoto (na forma de um mestre oriental das artes marciais) aparece para o menino, lhe dando conselhos sobre beijar ou não a garota durante um treino (algo como o Mundo de Bobby em ação real). É tudo tão plausível, tudo tão doce e tudo tão infantil. Acho que ninguém deveria perder esse sabor doce que a gente sente quando é criança e se apaixona pela primeira vez. Quem é que não disse as coisas erradas na hora errada? Quem é que não ficou sem ação, sem saber como agir diante daquela pessoa especial? Quando se é criança, as barreiras são tão grandes. Tem a insegurança, tem o medo da rejeição, a dúvida… E não somos sempre assim mesmo depois de crescidos? Você aí pode até dizer que a diferença é que o amor infantil passa logo. Pois eu digo que fica, e dura tanto quanto qualquer outro amor, proporcionalmente falando.
Talvez sejamos até mais fortes aos 10 anos. Talvez consigamos enfrentar melhor as vicissitudes do amor e conseguir superar. É óbvio que também é muito mais difícil assumir os nossos sentimentos, pois ainda não se sabe o que fazer com eles. Mas falando sério, quando é que se sabe?
Só temos a aprender com essas crianças e seus amores, e valoriza-los um pouco mais. Quem sabe assim nossas vidas amorosas pseudomaduras seriam bem melhores…
Pode haver outros amores, maiores e melhores, mas nunca outro primeiro amor.
Dica de locadora: Little Manhattan (ABC do Amor) - é a tal história do garotinho de 10 anos tentnado viver uma história de amor na grande maçã (apesar de que sua mãe só o deixa ir até a rua 72)
Citação: "Esta vida é um punhal de dois gumes fatais: não amar é sofrer; amar é sofrer mais." (Menotti del Picchia)
Trilha Sonora: Cannonball, by Damien Rice
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