quarta-feira, maio 21, 2008

Season 7 Promo

[ 10 minutes to the Season Premiere ]

No período que antecede a estréia de uma temporada de qualquer série de tv, surgem muitos rumores. Quem vai ficar? Quem vai deixar o elenco? Quem vai entrar? O que aconteceu desde a última cena da temporada anterior? Aqui não poderia ser diferente. Só posso prometer grandes surpresas, porque, acreditem, MUITA coisa aconteceu desde aquele dia de abril.

Afinal, agora eu sou um cara de 20 anos.

Something unpredictable...

Por enquanto, o template novo é esse daí, ainda vou ajustar umas coisas nessa imagem do título, mas a identidade visual do Teatro agora é essa. Pelo menos pelos próximos 20 episódios...

A emissora contratou novos personagens e alguns que eram protagonistas agora são participações mais do que especiais. Novas tramas, novas intrigas, novos amores, novas amizades...

but in the end it's right!

terça-feira, abril 22, 2008

6.21 - The End of the Affair

[ The end of the affair ]

ou season finale - último episódio da temporada



Irônico foi perceber que é a primeira vez que te olho nos olhos. Assim de um jeito direto, de uma distância pequena. A primeira para ser a última. A primeira para fazer morrer o que não tinha nascido. Desconcertante é notar que suas razões não são o suficiente para mim, apesar de eu compreender o seu sentimento.

Se eu estou pulando fora não é porque você pediu, saiba. Se eu desisto é por decisão minha. É minha escolha poupar você do constrangimento de buscar novas razões vazias para o que você só não sente e pronto.

Nossa história nõa era de um, nem de dois. Era três, quatro. Era cinco e você nem sabia. Era e nunca foi, porque se um dia ainda for, será só pra fazer definhar a alma do que a gente construiu junto. Amizade é uma colcha que vamos tecendo para nos proteger do frio no inverno de nossas vidas. E um sentimento não exclui o outro.

E não me fale sobre importância, não racionalize os sentimentos ou falta deles. Não pedi razões ou motivos (embora já tenha perdido noites pensando nisso), só uma decisão. Também não quero que me entenda mal, porque ainda haverão copos cheios, alegrias, festas e pautas. Ainda haverá contato. Mas no que eu estou me tornando, você só cabe de um jeito.

Não to dizendo que vai ser fácil. Mas se fosse mesmo tão forte, a fossa duraria mais do que dez minutos. Duraria mais do que o tempo da música triste no caminho habitual pra casa. O mesmo caminho que um dia dediquei a você. Mas agora só quero ouvir acordes maiores.

Engraçado é que eu já estive armado até os dentes e vestido com minha melhor armadura para enfrentar tempestades e guerras debaixo da sua janela só pra esperar o dia em que você fosse mudar de idéia.

A gente passa a vida inteira não fazendo o tipo de alguém. E a fantasia? Fantasia é para os fracos. Não que eu possa assumir uma vida sem sonhos. Mas a gente tem que ter em mente que alguns sonhos são malditos, outros não podem se realizar, e outros nem merecem ser sonhados. Não dá pra esperar muita coisa boa da vida, porque viver sem o risco de se decepcionar é bem melhor.

Quando a gente encontra alguém que tem tudo pra ser a pessoa certa, temos que ter certeza de que ela nos fará sofrer de um jeito especial só para provar que é a errada.

Ainda vai levar um tempo
pra fechar o que feriu por dentro
natural que seja assim
tanto pra você quanto pra mim

Ainda leva uma cara
pra gente poder dar risada
Assim caminha a humanidade
com passos de formiga e sem vontade

Não vou dizer que foi ruim
também não foi tão bom assim
Não imagine que te quero mal
Apenas não te quero mais

Não te quero mais

Não mais

Nunca mais.



EM BREVE A ESTRÉIA DA SÉTIMA TEMPORADA. EXPLOSION WAY OF LIFE. GOT TO BE BAD... (porque todo mundo já cansou do Mr. Nice Guy...)

domingo, abril 13, 2008

Porque hoje era para ser um dia lindo. Um domingo desses que não se esquece. E começou com o calor. Um calor forte, que fez meu corpo inteiro ficar dormente e aquela sensação que vem logo antes do desmaio permanecer por horas. Nem consegui almoçar, sem saber até o fim se era mesmo a temperatura, a roupa ou a memória.

Foi só colocar o fone de ouvido que passou. Por uma hora e meia eu vivi numa realidade alternativa, sonhando, imaginando e bem lá no fundo me arrependendo de ser fraco. Fraco por não ter conseguido cumprir a palavra de deixar pra trás batalhas perdidas. E essas dez milhões de coisas pairando na minha cabeça... aí apareceu o arco-íris.

Só pra eu voar pra mais longe e sonhar mais alto. E cair lá de cima quando eu descobri que meu dinheiro tinha sumido. O problema não era o dinheiro em si. Quando você perde dez reais é ruim. Quando você perde dez reais e tudo mais na sua vida está ruim, é a morte.

Chegar em casa foi uma vitória. Mas uma vitória pequena.

segunda-feira, março 31, 2008

6.20 - Summer of '42

[ Summer of '42 ]



Sabe aquela nostalgia de coisa que a gente não viveu? Aquela saudade de danças, bares e olhares. De décadas que vieram antes mesmo de eu nascer. Aquele sentimento de querer abraçar os amores perdidos, que se dissolveu nos caminhos do tempo. Como diriam os Beach Boys, acho que não fui mesmo feito pra estes tempos. Tenho saudades de carros e toca-fitas, de twists e colégios. Eu me apego aos anos que nunca me pertenceram só pra ter a chance de ouvir de novo as músicas que um dia não tocaram pra mim. Be my little baby.

Aqueles anos, que eu não vivi, são os meus anos incríveis. É pra lá que eu vou toda vez que a realidade e o presente vêm em um embrulho feio e sem enfeites. É pra lá que eu quero voltar, é lá que eu quero ter raio de sol num dia nublado, e quando estiver frio lá fora, eu vou querer o mês de maio.

Todos os trechos são, na verdade, a letra de uma música só, que estará para sempre no toca-fitas do carro do meu pai. Numa época em que as noites tinham drive-ins, milk-shakes, batatas fritas, e uma juventude transviada, rebeldes sem causa. Em anos sessenta de setenta amores, cinqüenta foguetes festejam oitenta alegrias.

Porque quando um homem ama uma mulher, ele não pode pensar em mais nada. Nem em reis e em Charles, nem rainhas e Carlies. Como é que eu posso me fascinar tanto com alguém que está sob a minha pele, com a cabeça no meu ombro que nunca foi.

What can make me feel this way?
My girl…

The Platters - Smoke gets in your eyes


They asked me how I knew
My true love was true,
I of course replied, something here inside
cannot be denied.

They said “some day you'll find,
All who love are blind”
When you heart's on fire, you must realize,
Smoke gets in your eyes.

So I chaffed them, and I gaily laughed,
To think they would doubt our love,
And yet today, my love has gone away,
I am without my love.

Now laughing friends deride
Tears I cannot hide,
So I smile and say, when a lovely flame dies,
Smoke gets in your eyes,

Smoke gets in your eyes

Dica de locadora: Summer of '42 (Houve uma vez um verão) - é um clássico e inesquecível filme. Baseado no livro e no roteiro de Herman Raucher, considerados por muitos como autobiográficos, o filme conta, com extrema sensibilidade, o despertar de um jovem de 15 anos para o amor, durante suas férias numa pequena ilha da Nova Inglaterra no verão de 1942.
Trilha sonora: Smoke gets in your eyes - The Platters

quarta-feira, março 19, 2008

6.19 - Sunset Boulevard

[ Sunset Boulevard ]


Durante todo o percurso, cada palavra ecoava e invadia minha mente, como se o fone de ouvido fosse, durante aquela tarde, parte do meu corpo. O que eu ouvia não era seqüência de notas, acordes e vozes, era algo mais intenso, mais completo, como se fosse possível ouvir ágape.
Foi então que eu olhei pra cima. O que eu enxergava não era o caminho usual de todos os dias do trabalho de volta pra casa, e sim o princípio do pôr do sol por entre as árvores. Os desenhos que fazem os galhos nunca foram tão bonitos quanto nessa época do ano, desfolhados mas muito vivos. Lembrei de vidas, vidas passadas? Tardes em clubes, esperando pela hora da aula, sentindo o cheiro de piscina enquanto brincava no balanço.

E tudo isso também era ela. Cada memória tornou-se um pouco do que são os seus cabelos, que eu nunca senti entre os meus dedos. A tarde era ela, porque ela era eu, pelo menos naquele instante. E eu aprendi num livro que um instante é o máximo que se pode esperar da perfeição. O sentimento ainda é criança e não aprendeu a falar.

Someday you will find me caught beneath the landslide
In a champagne supernova in the sky

Foi aí que eu comecei a cantar os versos alto. Mais alto do que eu geralmente canto, como se o mundo inteiro usasse o meu fone de ouvido. Os olhares de algumas pessoas passando por mim, espantadas, não me atingia. Porque era tudo tão harmonioso que eles pareciam entender minha necessidade de cantar, enquanto andava olhando para cima. A letra não importava mais. As entrelinhas transcenderam a profusão do momento.

O que as pessoas viam é o que eu não posso negar: sou mesmo estranho. Elas viam um garoto magro demais, com um corpo desajeitado e desproporcional, escondido sobre uma camisa grande e uma calça verde dois números acima, como eu sempre costumo usar. Nos pés, só o meu all-star todo preto, que ainda não combina com nenhum all-star azul. O que as pessoas viam é problema delas. Pra mim, era só céu e ela.

Quando a música mudou eu já tinha alcançado a avenida. Demorei mais do que o de costume para atravessar, como se estivesse adiando o momento de voltar para a vida real. Carros, bicicletas, beijos e casais, estudantes e revolucionários. Dentro de cada um uma história pra contar. Confesso que naquele instante, pouco me importava o resto do mundo. Só queria saber da minha própria história que ainda não está escrita.

O universo todo só existe para estar em volta dela. Será que ela sente quando ele a abraça? É tudo intenção. Porque eu também sou universo. E giro na órbita dela desde o primeiro dia. Com força instável e incontrolável, exaltada pelo álcool ou simplesmente pelo rastro do que ela é, que chega e fica.

If I could change the world, I would be the sunlight in your universe
And you would think my love is really something good
Baby, if I could change the world…

Opiniões são muitas. Como diria o Cazuza, me chamam de ladrão, de bicha, maconheiro. Às vezes algumas opiniões me atingem, mas na maioria do tempo, eu só quero continuar andando e cantando. Só quero continuar inventando meus amores e sendo acordado todos os dias pelo brilho da existência deles. Se acham grandes demais o meu nariz ou minha calça verde, que comecem a se acostumar. Se acham que eu sonho demais, me deixem atravessar a vida dormindo. Pelo menos no sonho ela está comigo.

What can I do? I fell like the color blue.


Dica de locadora: Sunset Boulevard (Crepúsculo dos deuses) - Um roteirista em fuga de credores termina por se esconder na casa de uma estrela do cinema mudo, que resolve contratá-lo para revisar o roteiro que marcará seu retorno às telas. O roteiro era insuportável, mas o pagamento era bom e ele não tinha o que fazer. No entanto, o que o destino lhe reservava não seria nada agradável.
Citação:
Trilha Sonora: I'll be there for you, by Bon Jovi

terça-feira, fevereiro 26, 2008

and the oscar doesn't go to...

Todas aquelas pessoas que só sabem reclamar que Hollywood é uma porcaria, que o Oscar é uma ode à mentira, que já não se faz mais bons filmes como antigamente, que Meryl Streep é deus e que Ellen Page não é ninguém. Só um aviso: Meryl Streep NEM SEMPRE foi Deus, ora bolas. Viram "Julia"?? Ela faz uma ponta das pontas, aparece 20 segundos em cena e sua performance nem é tão memorável. Só to tentando dizer: DÊEM UMA CHANCE AO CINEMA CONTEMPORÂNEO!

Eu também acho que Al Pacinos e De Niros de antigamente são melhores que Cruises e Afflecks de hoje. MAS EXISTEM Phillip Seymour Hoffmans e Forest Whitakers por aí. Nem tudo está perdido. Então, pare de reclamar. Ou então vá lá, pegue uma câmera, tenha uma idéia e FAÇA MELHOR.

Se o Oscar é um circo de horrores, NÃO ASSISTA. E depois, NÃO RECLAME.


Uma ex-stripper e ex-operadora de tele-sexo ganhou um prêmio de melhor roteiro. Quem vai me dizer que eu não posso também ganhar um Oscar?

terça-feira, fevereiro 19, 2008

6.18 - Now and Then

[ Now and Then ]




Esse post não foi planejado. Entretanto, o post anterior me permitiu uma viagem astral. Sabe quando as pessoas falam em viagem no tempo? Eu acho que é possível, real. Acabei de ter uma experiência do tipo.

No endereço que eu postei no último texto há o meu blog antigo. Eu tinha 17 anos. Parece que faz pouco tempo, afinal ainda nem completei 20. Mas pra mim são cerca de quatro eternidades, duas encarnações e vinte e seis eras geológicas. Exagero? Vá lá ler um texto pra ver... Naquela época, eu estava começando a conhecer profundamente a Nathália. Hoje, não imagino a minha vida sem ela. Naquela época, a Talita e o Horeya comentavam sempre. Hoje são lembranças no álbum de fotografia. Naquela época, todos nos reuníamos no bar da Michele pra celebrar as viagens astro-etílicas e ver o dia amanhecer tocando violão na casa do Rafaelzinho. Naquela época havia uma comunhão maior do que todas, mais inexplicável, forte e eterna. Era o coven. Mais do que apenas um grupo de estudos, era um grupo de irmãos.

Posts nostálgicos sobre o coven sempre tiveram espaço nos meus devaneios vampíricos por aqui. Mas esse é um pouco mais especial, creio eu. Não estou chorando, estou feliz, mais feliz impossível. É madrugada, eu trabalho amanhã, mas quem se importa? Hoje eu quero falar sobre o meu coven. E nem vou falar muita coisa não, porque tenho medo de que se eu colocar as lembranças todas pra fora por meio das letras, elas nunca mais voltarão.

Relendo o meu próprio blog, encontrei dois endereços. Dos tantos diários virtuais que acessávamos naquela época, parece que só dois ainda estão na ativa. E os donos que me perdôem por eu postá-los aqui, mas agora não tem mais jeito. Nesses dois blogs (Pedro e Filipe) eu vi a minha vida inteira passando diante dos meus olhos. Eu vi uma viagem especial pra Goiás, eu vi encontros 9 horas no cat, eu vi nuggets, coca-cola, filmes, segredos, surpresas, sabbats, vi encontros, desencontros, uma ou outra briga, eu vi dois caras perdidos no meio de uma confusão, vi festas... vi vinho, celebrações, fogueiras, sonhos, músicas. Vi tanta coisa...

2008 começou há uns 30 segundos, mas já estamos praticamente em março. Daqui a pouco faço 20 anos, daqui a pouco faço meu seminário de habilitação no Jornalismo. Faço estágio, ganho salário, cozinho, compro meu próprio celular e pago à vista. Todo mundo sabe disso. A festa de formatura do Filipe é nesse sábado. Ele passou por perdas, vitórias, conquistas, amores. Rodrigo acabou de se mudar pra rua de cima. Eu quase consigo ver a casa dele da minha janela. Essa semana vamos ver filmes indicados ao Oscar. Pedro esteve distante, mas nossas conversas francas no msn e nossos planos de como sobreviver num mundo solteiro estão de pé. De vez em quando ele vem aqui pra casa.

NADA é como antes. NADA MESMO. Da última vez que eu pensei nisso, Pedro, justo o caçula de nós quatro, o engraçado, o sem-noção, me falou uma simples frase que eu nunca mais vou esquecer. Ele disse que eu era o único que tava sofrendo por não ter mais o nosso grupo. Porque "todos mudaram, menos você, Otávio. Você continua...". Eu acho que agora, meses depois da nossa conversa, você já viu que eu mudei, né, Pedro. Também resolvi andar olhando pra frente e acho até que estou indo bem... Nada é como antes. Filipe e Rodrigo nem se falam mais. Falta assunto. Filipe e Pedro ainda são primos. Mas a cumplicidade não é mais a mesma. Rodrigo e Pedro se encontram vez ou outra e falam sobre nada. Mas o mais estranho de tudo isso é que os três ainda são meus amigos. Os melhores. Não os únicos melhores, como foram um dia. Mas não menos especiais.

Estou assistindo "Queridos amigos". Me deu uma vontade de reencontrar todo mundo. Uma nostalgia boa que faz ventar no coração. E todo mundo está voltando aos poucos, depois da reinauguração do bar da Michele. Ainda bem que ainda tenho o número de todo mundo na agenda.

Sabe no final de alguns filmes, em que vemos uma narração em off sobre o futuro dos personagens? É como eu sinto que está esse post. Mas não é final nenhum não. É o início. Quem sabe o reinício.

(é claro que não é o reinício da mesma história. uma história não tem dois inícios. mas nem sempre precisa ter um fim)




E foi naquele 28 de setembro de 2004...


Dica de locadora: Now and then (Agora e sempre) - Quatro amigas se reencontram depois de 25 anos para relembrar a doce e amarga passagem de cada uma delas para a adolescência, durante os anos 70. No presente, cada uma tem uma vida feita, mas ainda carrega consigo um pouco das outras três. Nada mais bonito do que o pôster, onde cada uma delas abraça sua versão de 12 anos.
Citação: eu tenho um doce, por Pedro.
Trilha sonora: Angra dos Reis, de Legião Urbana
Olha como é que as coisas são na vida da gente...

Consta no meu registro que eu já fiz 52% do curso. Consta lá que eu faço a habilitação número 1, que é jornalismo, com formação complementar livre.

Quem diria?

teatrodevampiros.weblogger.terra.com.br

aí estão os meus últimos posts da quarta temporada, quando eu ainda escrevia no weblogger. e é aí que está o relato escrito dos meus primeiros momentos na ufmg...

Nathália, apareça por lá depois e releia tudo aquilo. Sinta-se feliz (não só pelo fato de que sua qualidade textual é infinitamente superior à minha!!). E não deixe que esse seu início se perca no vento ou no tempo.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

6.17 - Jerry MaGuire

[ Jerry Maguire ]



ou Amores e traumas de infância

A copa do mundo de 1994 foi um marco na história. Tanto na história do futebol brasileiro e mundial quanto na minha própria história e de todos os outros garotos da minha "geração". Não foi, digamos, a minha "primeira" copa, mas é a primeira da qual eu me lembro. Os postes da rua onde eu morava com minha família na época se cobriram de verde e amarelo, por iniciativa das mulheres da vizinhança, em que se incluía a minha mãe. Tudo aquilo era novo e bonito demais pra mim, assim como o fascínio que me causava assistir a um jogo.

Nessa época, eu já torcia para o Cruzeiro, por influência do meu irmão, e já dominava os campos de futebol de botão. Foi nesses campos que aprendi a maioria das regras do esporte, e foi em volta deles também, que tive minha primeiras brigas com o meu irmão. Apesar de ser cruzeirense, tinha uma preferência por jogar com o time do flamengo ou o do vasco (porque o Cruzeiro era sempre do meu irmão mais velho). Mais emocionante do que aquele jogo de regras inventadas era todo o ritual que se desenrolava paralelamente. Toda a preparação, o time entrando em campo, os jogadores se aquecendo, a gente realmente fazia daquilo um teatro.

E em 1994 tudo era um pouco mais mágico. Não dá pra imaginar uma vida mais fácil do que quando se tem 6 anos. Naquela copa do mundo eu sabia toda a escalação da seleção brasileira, que incluía pela primeira vez o Ronaldo no alto dos seus 17 anos. Sabia tudo, do Taffarel ao Amarelinho (alguém aí lembra daquele bichinho redondo que aparecia durante as transmissões narradas por Sílvio Luís?). Nos meus cadernos do pré-escolar, as casinhas, árvores e sóis deram lugar a campos de futebol, onde o Brasil vencia a seleção de Camarões, em jogadas estratégicas indicadas passo a passo pelo lápis de cor. O Brasil venceu a copa. Pra mim, foi a primeira vez. É como se o Brasil sempre tivesse vencido.

Os anos passaram devagar. Ainda tive muito tempo pra jogo de botão - adquiri novos times e novas habilidades, que me trouxeram novas medalhas. Eu era um dos melhores da rua, perdendo só pro meu irmão e vez ou outra pra um dos amigos dele, que eram os "caras maiores". Nesse processo, mudei de cidade e de vida. Na escola, não gostava muito de jogar. Os segundos mais terríveis para um garoto são os momentos da escolha do time. E eu nem podia evitar ser um dos últimos a ser escolhido, porque eu não gostava mesmo de jogar. Mas na rua... Na rua em que eu morava eram mais de vinte crianças. E durante os quatro anos em que eu fui saindo da infância até chegar à pré-adolescência, o Futebol fazia parte do meu dia-a-dia. Aos poucos fui percebendo que eu não era lá muito bom com a bola nos pés, mas isso não me impediu de continuar vivendo o futebol a cada dia. Eram sessões de Fifa Soccer (eu e meu irmão sempre escolhíamos as maiores ligas - européias, é claro - e jogávamos por dias a fio), onde o meu Paris St. Germain brilhava, ou meu Werder Bremen era sempre coroado no final. Depois que eu "pendurei as chuteiras", veio meu período de "técnico" do time da rua, nos jogos contra os garotos da rua de cima. Também fui presidente do campinho que construímos num lote vago.E enquanto isso, no colégio, insistiam que eu ainda devia jogar. Era uma lástima. Nos dias em que jogávamos futebol, era sempre uma dor fingida, um médico marcado, uma desculpa qualquer. Só era menos pior nos dias em que jogávamos vôlei ou coisa do tipo. Até hoje eu não sei por que era tão diferente o meu desempenho e comportamento em relação ao futebol na minha rua e na minha escola...

Mas enfim, mudei de novo de cidade. Na escola nova, era futebol 360 dias por ano. Não tinha mais o meu campinho de serragem, nem o meu Fifa Soccer, nem o time da rua de cima pra desafiar. Só os egos dos garotos da minha sala. Abandonei de vez os campos e rompi relações com o futebol. Teria rompido também com o esporte se não fosse o time de voleibol, que me rendeu alguns jogos interessantes e algumas medalhas no currículo. Nessa época, o tempo começou a passar mais rápido e mais rápido eu me distanciei do futebol. O máximo que fazia era torcer pelo Brasil na copa de 2002, ao lado da minha nova turma, ou ao lado dos amigos da minha irmã. Mas não tinha mais o mesmo encanto dos enfeites pendurados no poste... "Brasil é penta... e daí?".
Pelos próximos anos, minha relação com o futebol só foi desaparecendo. E nessa época, também com qualquer outro esporte. Meu lugar era na frente de um computador ou vendo um filme, como todo bom nerd. E assim, perdi todas as outras edições do Fifa Soccer, nem ligava mais pra esses jogos. Preferia mil vezes zerar Tomb Raider do que uma partida de Winning Eleven.

Até 2006.

Foi quando o Barcelona venceu o Arsenal na final da Liga dos Campeões daquele ano. Os times eu já conhecia, pela escalação das edições anteriores do Fifa Soccer, pela passagem dos craques brasileiros por cada um deles, e pelas suas cores. Mas um jogo daqueles eu ainda não tinha visto. E daí por diante, vez ou outra, eu fui me interessando de novo (normal, época de copa), pelo futebol. Principalmente o futebol europeu. Essencialmente o futebol inglês. Não via sempre os jogos, mas acompanhava as notícias. Vi o Liverpool chegando até a final da temporada seguinte.

Da Liga dos Campeões passei para o Campeonato Inglês. Assumia o espírito de rivalidade presente nas torcidas inglesas por alguns minutos por rodada. Eram surtos que eu escondia das pessoas, até porque eu deveria ter continuado a ser o nerd que odeia futebol. Mas não dá pra odiar um jogo do Arsenal ou até mesmo do Chelsea. E simplesmente não dá pra ignorar o que fazem Cristiano Ronaldo, Rooney, Tevez. É mais do que eu posso compreender. É reatar um namoro de infância...

E ainda dizem que isso não tem nada a ver comigo.

Dica de locadora: Jerry Maguire (Jerry Maguire - A grande virada) - Tom Cruise é um agente esportivo que vê sua vida virar de cabeça pra baixo e é obrigado a empresariar um cara que não é muito bom no que faz, mas acha o oposto. Descubra o que é que esse filme tem a ver com o post.
Citação: Gosto a gente adquire novos, por Pedro.
Trilha Sonora: Fields of gold, by Sting

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

6.16 - Seven Minutes in Heaven

[ Seven minutes in heaven ]

ou: porque garotas como a Jennifer Connelly nunca vão ficar com garotos como eu



being in love is more than seven minutes in heaven...

Você por acaso já sentiu alguma vez o sentimento de não pertencer? Não, não to triste outra vez com a montanha-russa da vida. To é feliz e ensolarado, ao contrário do céu. Apenas parei pra pensar. Você sempre procurou um mundo diferente, porque achava que o mundo comum era comum demais pra alguém como você. Você abdicou de valores infantis quando escolheu não ir àquelas festas, por achar que era superior a isso. O resultado: você perdeu tempo não entendendo os filmes russos enquanto todos os outros tiveram uma adolescência cheia de erros e álcool.

Daí agora, um tempinho depois, você não consegue caber no mundo que escolheu. E se tivesse sido diferente o tempo todo? Bom, isso são coisas que só passam pela nossa cabeça de vez em quando. Na maioria das vezes eu estou satisfeito com as amizades que eu escolhi. E se eu penso nisso de vez em quando não é por culpa desses amigos e nem por minha. É só aquele sentimento de "e se...".

Muito provavelmente, esse post será mal interpretado. Mas acho que as pessoas não entendem mesmo o mundo em que eu vivo. É um mundo desigual, onde alguns quase-iguais não podem respirar direito. Mas eu sou uma exceção, eu acho. Eu acho que sou exceção de tudo que é regra desse mundo.

Mas tudo fica tão bem quando você olha pra cima e vê que as gotinhas de chuva fina fazem um desenho no céu escuro como se estivessem desviando da sua cabeça... Tudo fica bem quando você encontra aquele filme FODA que você assistiu no Intercine há uns 5 anos e nunca mais viu na vida por um preço baratinho. Tudo fica bem quando você chega no final do filme sorrindo e chorando ao mesmo tempo. São sete minutos no paraíso...

Dica de locadora: Seven minutes in heaven (Sete minutos no paraíso) - O nome do filme é uma referência a uma brincadeira americana mais ou menos equivalente ao nosso "verdade ou conseqüência", mas a conseqüência é sempre a mesma: passar sete minutos com alguma pessoa da roda dentro de um armário, ou quarto fechado, ou coisa que o valha. O engraçado é que ninguém brinca disso no filme. Os sete minutos no paraíso são aqueles momentos de profunda dor, angústia e paixão que nos aparecem vez ou outra quando temos quinze anos. Vai ser difícil encontrar ele nas locadoras... mas eu tenho, qualquer coisa eu empresto. ;) Aaah, Jennifer Connelly... *suspira.
Citação: "dear you, love me", letra da música tema do filme, tocada diversas vezes com diversos arranjos.
Trilha sonora: um tema feliz tocado em saxofone, teclados e baterias eletrônicas.

terça-feira, janeiro 15, 2008

6.15 - Message in a Bottle

a propósito, já foi tarde, 2007. 2008, trate de acontecer.

[ Message in a bottle ]

Tá acontecendo de novo.

A insônia, entre outras coisas.

Já tem muito tempo que não consigo mais olhar pra uma pessoa e imaginar como será o nosso futuro, assim, sem qualquer outra preocupação. Já tem tempos que não sonho, que não tremo, que não suspiro, como daquelas poucas (contadas) vezes em que eu me permiti.Eu preciso de um amigo. Não melhor ou mais próximo do que os que eu já tenho. Só diferente. Acho que vou ter que me contentar com a minha própria companhia. Por semanas e semanas sozinho no apartamento eu já me acostumei a interpretar os gestos das sombras e completar as frases que eu mesmo começo. E ainda não consigo dormir à noite.

Ela apareceu. Já estava lá, na verdade, mas só agora pude percebê-la melhor. Será que esse interesse repentino é apenas um desejo inconsciente de suprir a necessidade de gostar de alguém? Pra falar a verdade, não sei muito sobre ela. Nem sei se gosta de Ana Carolina ou prefere Billie Holiday. Nem sei se tem todas as qualidades que um dia eu enumerei, tentando colocar em listas e números meus amores em potencial. Provavelmente é só mais uma nuvem passando no céu. Talvez nem chova. Mas eu queria tanto, tanto, que pudesse ser dessa vez... Eu queria tanto gostar de novo.

Eu preciso é me apaixonar, sabe? De um jeito forte, que supere até mesmo aquela vez, em que a vida era um seriado americano.

Na faculdade, as coisas são estranhas. As pessoas não conversam mais sobre coisas profundas. Há tantos problemas na superfície que quase não se permite mergulhar nas profundezas das viagens de madrugada, das conversas sinceras, das coisas que deixam a gente chorando (de tristeza, alegria, ou só de viver mesmo). As pessoas não se apaixonam mais. As pessoas só querem é aproveitar enquanto ainda há garrafas cheias na mesa. E é o que eu devia fazer, né? Mas não dá mesmo. Eu não sou assim.

Na época do colégio, cada dia era uma paixão, um amor maior, intenso, com trilha sonora e sinos tocando. E era fácil, simples, apesar de eu ter pensado na época que tudo era complicado. Agora, a conversa é sobre o trabalho, sobre a prova, sobre a matéria. Nunca sobre o céu, sobre a emoção. Acho que as pessoas pensam que estão velhas demais pra se apaixonarem como crianças.

Tudo o que eu queria era me apaixonar de novo como criança. Daquele jeito inocente, como tantas vezes em que eu nem sabia o que fazer. Tantas vezes atendendo o telefone e decepcionando pessoas. Naquele tempo, as oportunidades eram pipocas. E eu fui perdendo todas, uma a uma, só pra aprender com os erros. A velha história do se arrepender do que não se fez. Em momentos sinceros já pude revelar minha frustração com minha própria mediocridade para as outras pessoas.

Mas o que importa é que as coisas não mudaram. Eu não estou maduro o bastante para me recusar à emoção. Eu ainda tenho uns episódios de "Anos Incríveis" e "Dawson's Creek" pra assistir. E ficar mais velho a cada segundo sinceramente não vai mudar isso.

Dica de Locadora: Message in a bottle (Uma carta de amor) - Baseado no livro de Nicholas Sparks, o filme narra o encontro de um Kevin Costner amargo, desolado pela morte da esposa, e de uma Robin Wright Penn workaholic que, exatamente como eu, só precisa se apaixonar. Ao contrário do livro, o filme nem é lá essas coisas. Mas a carta de amor desesperada jogada ao mar a esmo, levada pelas ondas até o seu destino me inspira.
Citação: "CHARLIE BROWN: Por um instante a vitória esteve em nossas mãos. LINUS: Aí então o jogo começou", personagens de Peanuts no episódio Você é um tapado, Charlie Brown.
Trilha sonora: Confesso, por Ana Carolina

quinta-feira, dezembro 20, 2007

The Wonder Years

[ The Wonder Years ]

Já nem tento mais encontrar as palavras para descrever a minha sensação ao assistir os episódios de "Anos Incríveis". E não pela multiplicidade de sentimentos que posso desenvolver. O mérito é todo da série.Como se não bastasse que cada detalhe da vida de Kevin Arnold se pareça incrivelmente com a minha própria vida, a série ainda foi capaz de mudar todo o meu gosto musical e a minha maneira de enxergar o meu próprio crescimento e a maneira como eu passo pelos anos.

Aprendi a amar um pouco mais a minha família. E assim, a mim mesmo

Cada um de nós é um conjunto de memórias. É um álbum de fotografias. Às vezes não nos lembramos exatamente de como as coisas realmente importantes em nossas vidas aconteceram. Mas as lacunas podem ser preenchidas. Foi o que Kevin Arnold me ensinou: a imaginação existe é pra isso. Não é pecado misturar o sonho e a lembrança...

Todo mundo teve os seus "anos incríveis", mesmo que tenham apenas durado meses, ou segundos. Os anos incríveis são aqueles momentos em que você está crescendo, rodeado de pessoas que te amam. É brincar na rua com os seus amigos, mesmo que já tenham passado da idade de brincar. É beijar uma pessoa especial, como se fosse a primeira vez para ambos. É brigar com o seu irmão mais velho só para descobrir que vocês são mais parecidos do que o espelho pode dizer. É descobrir como sua mãe é especial. É perceber que aquele mau-humor que de vez em quando acomete o seu pai tem um motivo, mas que não é maior do que o amor que ele sente pela família. É brincar com um cachorro, é observar como sua irmã parece ser de outro planeta. De algum jeito, os anos incríveis têm um fim. Mas não é um fim necessariamente triste, porque ele acontece no momento em que você deixa de prestar atenção no que poderia ter sido e mira seus pensamentos no que VAI SER. Os anos incríveis terminam quando você se perdoa por crescer.

E é assim também que começa o resto da sua vida.

Eu ainda não consegui me perdoar por muita coisa que deixei de fazer na minha vida. Mas de vez em quando eu consigo olhar pra hoje, sem ignorar a importância de ontem, e sem deixar de sonhar com o amanhã. E isso eu só consigo com uma ajudinha dos meus amigos.


Citação: "time it was and what a time it was it was a time of innocence, a time of confidence is " (Simon and Garfunkel, Bookends)
Trilha Sonora: God Only Knows, by The Beach Boys

quarta-feira, novembro 21, 2007

6.14 - Breakfast at Tiffany's

[ Breakfast at Tiffany’s ]

Só me faltava essa: tenho insônia. Como se não bastassem os mil trabalhos que eu tenho pra fazer e nem sei por onde começar, se não bastasse o vestibular daqui duas semanas no qual eu vou trabalhar pela TV, na cobertura ao vivo, se não bastasse tudo mais, agora eu não consigo dormir.
Se pelo menos eu usasse essas horas pra algo útil, tipo terminar de ler o texto de Psicologia Social ou começar a fazer o trabalho de Narrativa Jornalística… Mas não. São umas três horas por dia que eu perco desde quando vou pra cama até quando começo a dormir. Posso estar com todo o sono do mundo, nada me faz dormir. E o pior, esse sono perdido aparece quando não pode, no meio do meu horário de trabalho, ou no meio daquela aula importantíssima de Teorias da Imagem quando o professor passar um filme incompreensível que vai cair na prova.

Que vida é essa, hem? Cada vez reconheço menos o meu dia-a-dia. Tem semanas que não vejo os meus melhores amigos. Ver eu vi, mas… To com tanto medo de perder eles pra sempre. Juro, medo mesmo. Será que eu vou ser o próximo a sair do grupo? O próximo pra quem eles não vão ligar mais?

Essa noite eu já tentei ler, tentei escrever um roteiro, até assisti de novo o primeiro capítulo de Confissões de Adolescentes na esperança de o sono vir. E nada. Aí toca aquela música velha no rádio. Aquela linda.

Desisto de dormir. Daqui a 8 horas eu tenho que estar lá na faculdade, tenho trabalho pra fazer. À tarde, gravação do programa. À noite, prova de Inglês. Se eu morasse em Nova York, agora, nesse segundo, seria o momento de pegar um táxi, comprar um café, um croissant e comer em frente à vitrine da Tiffany & Co. Mas como eu moro em Belo Horizonte…

Deu saudade de novo. Sempre fico assim de noite, ouvindo música.

Rua Ramalhete
Sem querer fui me lembrar
de uma rua e seus ramalhetes,
do amor anotado em bilhetes,
daquelas tardes
No muro do Sacré-Coeur,
de uniforme, olhar de rapina
nossos bailes no clube da esquina
Quanta saudade!
- Muito prazer, vamos dançar?
E eu vou falar no seu ouvido
Coisas que vão fazer
você tremer dentro do vestido
Vamos deixar tudo rodar
E o som dos Beatles na vitrola
Será que algum dia eles vêm aqui
cantar as canções que a gente quer ouvir?

Dica de Locadora: Breakfast at Tiffany’s (Bonequinha de Luxo) – Se você não viu esse filme ou não sabe quem é Audrey Hepburn, sua vida tem sido em vão. Holly Golightly é uma das personagens mais marcantes que eu já vi em um filme, Audrey é Deus. Ela é uma pseudo-socialite com um gato sem nome que tenta arrumar um marido rico – entre eles, um brasileiro, ahaha – e acaba se envolvendo com o escritor do andar de cima.
Citação: “Na minha cabeça tem um zilhão de coisas. As pessoas não podem ver a minha cabeça. Como vão saber que ela tem um zilhão de coisas?”, George, personagem de Josh Peck em Mean Creek.
Trilha Sonora: Rua Ramalhete, versão do Roupa Nova

quinta-feira, outubro 25, 2007

6.13 - Rain Man

*post escrito em um dia quente, dias atrás. quando as gotas esporádicas eram só sonhos.


[ Rain Man ]


A chuva se recusa a cair, como se fizesse charme. Como os segundos que antecedem a entrada da noiva. Como a moça que se faz de difícil diante da declaração. Como o blecaute antes do show. Como cada luz apagada antes que seja acesa. Como o último capítulo da novela, como o final (re)(des)velado do vilão, mais esperado que o da mocinha.
A chuva sabe que todos a querem. Nem mesmo os termômetros sabem o quanto está quente. Para eles são apenas números. Para nós, é o chinelo.


A chuva é uma criança que ora chega oportunamente, no meio de uma caminhada, para lavar o cansaço só mostrando os dentinhos - vez ou outra com falhas, portas, janelas, clarabóias... - e ora reage com gritos e ruídos inconvenientes (para quem?) enquanto a platéia assiste quieta ao teatro.
Deixe a criança se levantar, deixe-a falar. Molière não se importa, aposto. Perto de mim ela pode brincar de não ser criança com seu pingüinzinho azul na mão. Ele parece o Menino Maluquinho. É como eu gostaria que fosse meu filho. Do outro lado, a bailarina ainda vestida, que acabou de chegar da aula. A tia a leva ao teatro e ela, com uns sete anos, nem sabe o que está vendo. Mas já basta, é bailarina, brinca de boneca na brisa bela. Toma a Coca-Cola toda, ignorando que a garrafa é quase do tamanho do seu corpo. Já tem arte suficiente impregnada em si. Tanto que nem precisa se calar. Calem-se, adultos. Molière fala às crianças.


O Galpão galopa...


E naquele menino eu vi alguém que eu deveria continuar a ser. Apesar dos trabalhos, seminários, decupagens, reportagens. E eu já não reclamo da vida. Quase acredito na minha fala de que sim, um dia as coisas vão melhorar. Um dia o dinheiro que eu ganho vai dar pra eu pagar aquele curso, aquele tênis e aquela mensalidade no mesmo mês. Um dia vai valer a pena. Tomara que chova amanhã.


Baixa Pressão - Kid Abelha
Cabeça quase nos pés e nuvens

nenhuma chuva
são quase 42 à sombra
nenhuma brisa
Inferno e fogo na luz do dia...
Não faço em que ano estamos

aqui, todo verão é igual
De novo esqueci seu nome
(acho que isso não é normal)

Estou pedindo perdão
pela umidade e a pressão
Já não raciocino e nem respiro mais
E em tudo que você disser
eu vou acreditar
E se você não me quiser, tanto faz
sou capaz de acostumar...

Dica de locadora: Rain Man (Rain Man) - O motivo pra todo e qualquer ser humano ver esse filme tem duas palavras: Dustin Hoffman.
Citação: A thousand miles seem pretty far, but they've got planes and trains and cars...
Trilha sonora: Something Stupid, by Nicole Kidman e Robbie Williams

6.12 - Autumn in New York

[ Autumn in New York ]

Não deve ser tão sério assim... Nem é pra ser. Eu contei pra ela sobre o meu amor eterno. Ela acha que ele um dia vai passar.

Pois é. Nesse momento, eu só queria Florianópolis. Só queria nós dois e praia. E um violão, talvez, cantando acústico aquela música.
Não é pra ser sério, ela não quer coisa séria e eu não vou deixar que isso fique sério demais. mas estou pensando seriamente nela.
E agora, que a noite já não está mais azul, eu to com vontade de ligar, de ir, de ficar. Pra sempre. Pra sempre não, que pra sempre é coisa séria. Mas infinitamente até acabar.
Não é sério. Mas é inspirador. Gostoso igual a talento branco. Incontrolável como uma tremedeira na mão.

Staind - It's been a while
It's been a while
Since I could... Hold my head up high
It's been a while
Since I first saw you
It's been a while
Since I could stand on my own two feet again
And it's been a while
Since I could call you
But everything I can't remember
As fucked up as it all may seem
The consequences that I've rendered
Have stretched myself beyond my means
It's been a while
Since I could say that I wasn't addicted
It's been a while
Since I could say I loved myself as well and...
It's been a while
Since I've gone and fucked things up
Just like I always do
It's been a while
But all that shit seems to disappear when I'm with you
And everything I can't remember
As fucked up as it all may seem
Consequences that I've rendered
Gone and fucked things up again... again
Why must I feel this way?
Just make this go away
Just one more peaceful day
It's been a while
Since I could... Look at myself straight
It's been a while
Since I said I'm sorry
It's been a while
Since I've seen the way the candles light your face
It's been a while
But I can still remember just the way you taste
Everything I can't remember
As fucked up as it all may seem to be, I know it's me
I cannot blame this on my father
He did the best he could for me
It's been a while
Since I could... Hold my head up high
It's been a while Since I said I'm sorry

Dica de locadora: Autumn in New York (Outono em Nova York) - alguns relacionamentos só precisam ser curtos para serem inesquecíveis. mas mesmo assim duram pra sempre. Richard Gere aprende isso com Winona Ryder.
Citação:


Trilha Sonora: Constellations, by Jack Johnson

quinta-feira, setembro 13, 2007

6.11 - Scent of a Woman

[ Scent of a Woman ]

Deu saudade, sabe? Tava ouvindo aquelas músicas de 80 e poucos no computador depois de fazer meu trabalho todo. Já era uma e tantas da manhã, aula no outro dia cedinho, e eu lá. Comecei a viajar naqueles negocinhos do Windows Media Player, sabe? Aí tocou ela: a música que sempre chama a minha atenção.

“Longe de casa há mais de uma semana...”

Eu lembrei da minha mãe, da minha família toda, da minha infância tão legal e tão simples. Como era fácil aquela vida. Quanto será que custa uma passagem para uma viagem ao passado? Eu quero mais do que a memória.

“será que ela está me esperando?”

Eu abri a janela pra sentir na cara o tempo louco de BH. Calor de tarde, frio de noite. E o cheiro da chuva se comprova a cada momento como o meu cheiro preferido. Sabe, quando você sente o cheiro e sente que vai chover? Mas talvez só amanhã? E ventou demais. Janela aberta, eu quase indo dormir. A força que me fez ficar viajando no Media Player mesmo com o sono chamando me levou a ficar um tempão olhando pra avenida vazia na frente do prédio, pro bairro que se estende até as alturas dessa região de Belo Horizonte.

“Estou a dois passos do paraíso”

Estou a dois passos do paraíso, foi o que eu pensei. Ta quase tudo quase certo. E eu só tenho 19 anos. Cheiro da chuva, cheiro de sono, e a prova que eu fui bem... Vão vir outras, e responsabilidades, e medos... Vai vir mais trabalho, e mais problema, e eu quero mesmo é enfrentar todos eles.

Sabe? Eu tenho um computador novo. Pra mim, que sou irmão caçula, ganhar coisa nova, tirada da caixa, é o paraíso. Não que eu não tenha ganhado coisas na vida. Aliás, fui, de todos os meus irmãos, o que mais viajou, que mais teve oportunidade de conhecer, de estudar, de estar lá... Mas coisa nova mesmo eu só fui ver depois que mudei pra BH. Depois que comprei meu próprio celular, depois que vou na loja comprar minhas próprias camisas. Sabe a saudade que dá do abraço dos seus pais?

“Nem sei por que é que eu fui dizer bye, bye...”

Eu acho que eu quero ela. Talvez seja o que eu precise no momento. E quem sou eu pra ver o futuro, né? Só sei que nesse momento, o presente que eu quero é ela, com um laço ou sem laços. Numa embalagem qualquer. O que vale é o cartãozinho. E a outra? Bom, a outra sempre vai ser. Sempre vai estar, permanecer, continuar, sempre to be. Acho tudo isso muito egoísta, né? Enfim...

“Bye, bye! Baby, bye, bye...”

Eu vou escrever uma história sobre crianças. Sobre rito de passagem. Sobre garotos de 10 anos e seus amores. Talvez seja autobiográfica. É, será mesmo. Será meu projeto de vida. Recontar minha vida. Narrador clássico, narrador jornalista... Eu acho que eu to começando a ser alguém na vida, viu?

Ô, cheiro de chuva... cheiro de sono... cheiro de mãe... cheiro de melzinho em cartela... cheiro de chocolate... de paçoca... de cantina da escola... de recreio... do apartamento vazio no andar de cima... da infância... Cheiro de saudade, de expectativa, cheiro de não ser mais criança.

Cheiro de epifania.


Dica de locadora: Scent of a woman (Perfume de mulher) - indescritível drama estrelado por Al Pacino e Chris O'Donnell. Foi de lá que você tirou a música Por una Cabeza, aquele tango que você conhece.
Citação: "Nós temos apenas que nos perdoarmos por crescermos" (Kevin Arnold, Wonder Years)
Trilha Sonora: A dois passos do paraíso, by Blitz

sábado, setembro 08, 2007

Eu vivo numa procura incessante em busca da história ideal para se escrever. Já criei personagens loucos demais, normais demais, novos demais, experientes demais. Personagens sonhadores, personagens insatisfeitos, personagens amantes, personagens vagabundos. Vivo procurando o diálogo perfeito. E quase todos os meus personagens têm uma coisa em comum: eles não tem final.
Mas eu to lá... vivo escrevendo.

Quer saber? Cansei de escrever. To querendo é viver.

Em breve aqui o post que era pra reinaugurar esse blog. Isso aí foi só desabafo.

*ouvindo: Cry for help, by Rick Astley.

sexta-feira, julho 06, 2007

6.10 - The Family Stone

[ The Family Stone ]

Aí de repente eu entro de férias. Não do trabalho, mas das aulas. E aí eu tenho que escolher que matérias eu vou estudar no semestre que vem. Escolho, ajeito, planejo. Ainda tem que ter horário pra ir pra TV. E aí eu tenho que correr pra pagar a conta e imagino que ainda tem outra vencida pra pagar. Tenho que ir ao banco.
E amanhã é dia de lavar a roupa. E no domingo de ir na apresentação de balé. E também reunir com a comissão pra decidir os planos futuros da formatura. E daqui duas semanas é ir a trabalho pra Diamantina e ficar com três programas nas costas.

Vida de adulto?

Aí eu chego em casa e tudo o que eu quero assistir é o episódio novo do The OC. E quando eu for pra Sete Lagoas vou continuar escrevendo minhas historinhas.

Vida de criança?

Depois de viver esse tempo todo sozinho, parece que estou ainda mais sozinho do que nunca. Mas não no sentido negativo, de solitário, porque apesar de tudo, apesar de ter demorado um pouco, eu sei que tem gente que fica preocupado comigo, mesmo 700 quilômetros longe. Eu sei que tem gente que pensa se eu estou comendo direito, tem gente que liga pra mim só pra falar que tá tocando a música que eu gosto de madrugada, tem gente que me manda comprar roupa nova depois de ver no programa que eu apresentei com roupa velha...

O maior significado de crescer pra mim, agora, tem sido perceber coisas que eu demorei demais pra ver. Descobri tarde demais que minha casa é o melhor lugar do mundo. Mas não antes de dizer coisas pra pessoas que não mereciam ouvi-las. As coisas? eu já esqueci. Elas não.

Estar em casa, ao lado do pai, da mãe, dos irmãos, é sim a melhor coisa do mundo. E eu não consigo pensar em outras pessoas mais importantes.

A gente é só um conjunto de momentos, sabe? Um conjunto de coisas e lembranças. É isso a base pros nossos atos. Então, acho que eu devo tudo à minha família. Ao meu pai... se hoje o Cinema é importante na minha vida, se hoje trabalhar com isso é o maior sonho, a maior vontade e o maior desejo, é tudo por causa dele. Tudo porque ele me levava na locadora todo sábado e me deixava alugar todos os films que eu quisesse, até esgotar toda a prateleira. É, eu acho que ele nem sabe disso mesmo porque eu nunca disse. A minha mãe que sempre está preocupada com 2000 coisas ao mesmo tempo... obrigado por eu ser uma delas. Tem coisas, mãe, que aos 17 anos a gente não sabe direito ainda. Viver longe de casa não é melhor, só necessário. Eu queria ser criança pra sempre sim, só pra não ter que saber onde está a minha toalha e você me dizer.
E tem a Jane, que mesmo passando as dificuldades da vida ainda é a minha companhia preferida pra ir no shopping, mesmo que for sem dinheiro, só pra ver a vitrine. Ou então pra lembrar quando toca aquela música do Rick Astley que ninguém mais da minha idade conhece. E pra me ligar só pra saber se estou bem e pra cuidar de mim, sendo minha segunda mãe na maior parte do tempo. Tem a Michele... ainda não descobri outra pessoa melhor com quem eu possa assistir um filme só pra discutir no final. E pra discutir filosofia e coisas sérias da vida. E o Jonatas que me salva quando eu preciso de dinheiro e que foi o meu companheiro de quarto por muito tempo e que só agora tá conseguindo um jeito de demonstrar todo o sentimento que guardou numa caixinha por 20 anos.
E tem o resto da minha família, tem o Dinho, a Márcia, o Gugu que me ensinou muita coisa que eu também só fui descobri depois, e ele só tinha uns 4 ou 5 anos na época, tem o Jeferson que é a criança mais doce que eu já vi na vida inteira e que tem o cabelo mais invejável da família. Tem o tiCarmelo que levava a gente pro Cipó e que me fez gostar de "Simon and Garfunkel", tem o Luan e o Léo, que nem sabe que empurrar ele no balanço às vezes é a melhor parte do meu dia.
E tem o Filipe e a amizade incondicional que passa por cima de tudo, sempre, sempre. Tem o Du que é com quem eu pulo e canto naquele show, como se fosse a melhor coisa do mundo. Tem o Rodrigo e nossos filmes de noite, nosso código secreto. Ninguém me entende mais do que ele. Tem o Pedro... Tem a Nathália e o Marcus, que me fazem acreditar que talvez o amor dê certo mas que sempre tem o "se...". Tem o Júnior, exemplo de persistência e competência no trabalho, e o Diogo, que mesmo estando muito, muito, muito longe provam que uma pessoa e o seu sonho não têm fronteiras.
Tem a Amanda, o Gustavo, a Padô, a Nath, o Horeya, a Lo, o Michel, a Priscila... todo mundo tão longe nesse momento, mas que estarão lá no porta-retratos da minha estante pra sempre. Tem a Clá, a Luizinha, a Bel, a Mari, a Deds, a Lolis, a Brunita, a Quel, o Pedro, o Victor, o Terê, o Nuno, a Lygia, a Tetê, o Bruno, a Jenifer, a Gibson, a Carolzinha, a Paulinha, a Sula, o Filipe, a Marina, o Leandro, a Rê, a Drica, a Carol (tão always), a Yayá... todo mundo nesse mesmo curso que vai levar a gente pra algum oceano distante.

Tem a Helena... tem a Ariane...
E tem o povo da TV, que entrou por último na minha vida, mas é quem eu mais tenho visto ultimamente. A Kel Sodré, a Aline, a Lu Antunes, a Lu Carvalho, o Fábio, o Rafa, o Ismael, o Gabriel, a Gidália, a Bia, o Átila, o povo da técnica, os chefes...

É possível ser sozinho desse jeito, é?

Se eu sou criança ou adulto não sei não. Mas pra que descobrir, né? Tá tudo legal do jeito que tá.

Dica de locadora: The family stone (Tudo em família) - Sarah Jessica Parker tenta desesperadamente entrar pra família de seu futuro marido, mas não consegue agrada-los de maneira alguma. Quando o natal se aproxima, ela fica sozinha em território inimigo e convida sua irmã para apoiá-la. Mas nem desconfia que essa família também passa por grandes e difíceis problemas.
Citação: "in my life, i love them more" (In My Life, The Beatles)
Trilha Sonora: All I have to do is dream, by Everly Brothers

Daydream - parte III

Tudo o que Nick menos queria era ser comparado ao irmão. Mas era inevitável. Os dois anos que separaram seus nascimentos não impediram de terem exatamente o mesmo gosto. Nick queria fugir disso, mas não cosneguia evitar. Aquela música que estava tocando agora no rádio ainda era a sua preferida, como havia sido de seu irmão. "All I have to do is dream... dream, dream, dream...", ele cantava baixinho enquanto imaginava o que Oliver faria, como agiria, agora que estava no colegial.

When I want you in my arms
When I want you and all your charms
Whenever I want you
All I have to do is dream
Dream dream dream
When I feel blue in the night

And I need you to hold me tight
Whenever I want youA
ll I have to do is dream
I can make you mineT

aste your lips of wine
Any time, night or day
Only trouble is, gee whiz
I'm dreaming my life away
I need you so that I could die

I love you so and that is why
Whenever I want you
All I have to do is dream
I can make you mine

Taste your lips of wine
Any time night or day
Only trouble is, gee whiz
I'm dreaming my life away
I need you so that I could die

I love you so and that is why
Whenever I want you
All I have to do is dream
Dream dream dream
Dream
Dream dream dream
Dream

sexta-feira, junho 29, 2007

Daydream - parte II

Aquele foto no porta-retratos havia sido o seu ídolo por muitos anos. Era dois anos mais velho, mas sempre havia sido o seu grande herói. Depois que ele partiu, a vida nunca mais foi a mesma. Sua família se desfacelou aos poucos. Seu pai sucumbiu à tristeza e foi preciso mudar de cidade para fingir melhor para o filho que restara que estava tudo bem, porque aí Nick não poderia vê-lo chorar todas as noites. Apesar de tudo, Nick sabia que seus pais sentiam falta de Oliver. O que não era muito difícil acreditar era que talvez sentiam mais falta de Oliver do que poderiam sentir do próprio Nick.

Mas Sheryl e Trevor nunca seriam capaz de dizê-lo. Nunca.

Oliver era um garoto perfeito de 16 anos. Atleta, popular, inteligente, com um futuro pela frente, esvaziado pela tragédia de um acidente de carro. Depois disso, Sheryl nunca mais deixara Nick dirigir sem carteira. Mas Nick nem sabia dirigir a própria vida a essa altura do campeonato.

Tudo o que mais importava era Laney. Que amaria Oliver pra sempre.