domingo, maio 03, 2009

7.15 - Into the Wild

[ THE SERIES FINALE - Into the wild ]


Por muito e muito tempo eu fiquei pensando como é que eu ia terminar esse blog, tipo num último episódio mesmo. Claro que, algumas vezes, eu achei que esse dia não fosse chegar, embora eu soubesse, desde o início, que a trama principal não era eterna. Afinal, Friends terminou depois de 10 temporadas, Dawson's Creek depois de 6, The OC depois de 4. Os motivos variam: é falta de audiência, brigas contratuais ou simplesmente a inexplicável falta de assunto. Não que eu realmente tenha a pretensão de já ter falado de tudo por aqui, como disse no meu último post. Mas algumas tramas só duram o necessário. Ou então cria-se a famosa barriga: um assunto que teima em não acabar. Sabemos como isso é chato..

Em episódios finais, há casamentos: Ross e Rachel ficaram juntos pra sempre. Há desastres ecológicos que mudam as vidas das pessoas: um terremoto abala as estruturas de Newport Beatch em The OC. Há morte: Jen morre em Dawson's Creek. Há coisas que acontecem das quais nos lamentamos eternamente. Há finais errados. Há finais certos. Por aqui, se você olhar rápido, não vai ver grandes acontecimentos. Não há finais felizes, nem casamentos, nem mortes. Mas se você reparar bem, é tudo isso uma grande coisa, não é não?

Não é só o fato de eu ter feito aniversário. Não é mesmo o fato de, mais uma vez, eu ter fechado um ciclo de estações na vida. Mas por todo o processo. Quando eu comecei a escrever aqui (e o teatro ainda era no outro endereço, desativado anos depois), eu era um adolescente com o sonho de que minha vida fosse um seriado americano. Demorou até eu perceber que não era bem um seriado americano, mas as pequenas improbabilidades do dia-a-dia e a maneira como o destino foi escrevendo nossos roteiros me surpreenderam. É isso aí. Teve início de caso, fim de caso, teve dúvida, teve certeza, teve ousadia, teve introspecção. Teve mesmo tudo o que uma série de sucesso tem direito.

Se antes, cinco anos atrás, eu era um adolescente com sonhos e com uma vontade gigante de que as coisas acontecessem na minha vida, hoje eu sou quase a mesma pessoa. Só que, infelizmente, não sou mais um adolescente. Ou felizmente, sei lá. E daqui uns meses, não vou ser mais um universitário. É. Acho que eu to virando adulto mesmo. Dá medo, dói um pouco, mas um dia me disseram que as coisas vão dar certo. Basta que eu acredite. E que eu queira, e que eu busque. E blá. As coisas vão dar certo.

E eu não estou pensando em parar de escrever. Só vou escrever menos. E a gente ainda pode se ver nesse outro blog. E ainda tem surpresa por aí, novos blogs, novas emoções, uma nova série. Mais adulta. E não menos adolescente. EU ainda quero brincar de lego. AInda quero escrever minhas histórias e as dos outros. Ainda quero ritos de passagem. AInda quero amigos eternos e amores que duram um ano. Ainda quero ser um rockstar. Mas é a vida. A gente tem que entrar na natureza selvagem, mais cedo ou mais tarde. Alguns adiam pra sempre. Eu tento enfrentar o medo e encarar...

Viu? Nem foi uma despedida triste. Não era pra ser. Era só pra ser despedida mesmo. De brinde, uma musica pra nós.

É bom olhar pra trás
e admirar a vida que soubemos fazer
É bom olhar pra frente
É bom, nunca é igual
olhar, beijar, ouvir, cantar um novo dia nascendo
É bom e é tão diferente

Eu não vou chorar, você não vai chorar
Você pode entender que eu não vou mais te ver
por enquanto, sorria e saiba do que eu sei: eu te amo

Foi bom se apaixonar
ficar feliz, te ver feliz me faz bem
Foi bom, é bom e o que será?
Por pensar demais eu preferi não pensar demais
dessa vez...
foi tão bom e por que será?

Eu não vou chorar, você não vai chorar
Você pode entender que eu não vou mais te ver
por enquanto, sorria e saiba do que eu sei: eu te amo

Eu não vou chorar, você não vai chorar
Ninguém precisa chorar
mas eu só posso te dizer
por enquanto, que nessa linda história
os diabos são anjos...




7 comentários:

sblogonoff café disse...

Vida que segue.
Mesmo delegada a papéis secundaríssimos em alguns epsódios (olha o sentimentalismo!!), foi bom ter feito parte do seu seriado, desse teatro que é a vida, e é bom saber que mesmo as séries sobrevivem aos finais. Existem teorias e continuações imaginárias, não é?!!!
Que o adulto em que você está se transformando, possa fazer um belo roteiro pela vida afora.

Ruleandson do Carmo (RU) disse...

Nossa, eu amava uma frase que tinha aqui em outra temporada, acho que era "temos que apenas nos perdoarmos por crescermos" eu, entrava, lia a frase e chorava. É tão engraçado ler sobre crescimento, fim da adolescência, fim da faculdade, as pessoas falam que vai ficar tudo bem e realmente fica ou a gente aprende a dizer que fica, mas a gente aprende também que os medos apenas mudam de lugar e de motivos, crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos, todos temos medo, todos temo saudade e talvez por isso ainda sejamos humanos. Boa sorte em qualquer seriado ou blog! Abração!

Henrique disse...

Entrei aqui pra procurar um filme bom pra baixar. Tinha até esquecido que não escrevia mais...
Normalmente acho que as despedidas não são necessárias, nao gosto delas tambem... hehe
Mas nem tenho muito o que comentar.
só que Into the Wild é um filme fenomenal...

Anônimo disse...

Que bonito.

Ankh disse...

Estou há quase um ano atrasado, mas vim comentar. Acabei de escrever um post sobre "vida de adulto" no sala de origami e vim ver o que tinha aqui. Me deparo com algo muito parecido.
Muitas coisas mudam, algumas ficam... é bom saber que a amizade (mesmo que um pouco distante) continua verdadeira entre nós.
A vida está trazendo mais uma leva de mudanças pra nós, mas vamos em frente: somos homens!

Daniel disse...

Então cara! Li seu texto e achei super legal! Ritos de passagem e etc. Nesse exato momento de minha vida, meus amigos de infância e adolescência estão se casando, procurando emprego, essas coisas... Nos olhos de alguns vejo um pouco de medo e alegria no dos outros por causa dessa nova fase que se inicia: a maturidade. Mas em meio a isso tudo, devemos guardar dentro de nós as velhas crinaças que fomos. E não se negar ao prazer de correr na chuva e chutar a lama.

Tempos de Aracne disse...

Estou 5 anos atrasada. Mas cheguei. Adoro metamorfose! Fui para o próximo.