terça-feira, fevereiro 19, 2008

6.18 - Now and Then

[ Now and Then ]




Esse post não foi planejado. Entretanto, o post anterior me permitiu uma viagem astral. Sabe quando as pessoas falam em viagem no tempo? Eu acho que é possível, real. Acabei de ter uma experiência do tipo.

No endereço que eu postei no último texto há o meu blog antigo. Eu tinha 17 anos. Parece que faz pouco tempo, afinal ainda nem completei 20. Mas pra mim são cerca de quatro eternidades, duas encarnações e vinte e seis eras geológicas. Exagero? Vá lá ler um texto pra ver... Naquela época, eu estava começando a conhecer profundamente a Nathália. Hoje, não imagino a minha vida sem ela. Naquela época, a Talita e o Horeya comentavam sempre. Hoje são lembranças no álbum de fotografia. Naquela época, todos nos reuníamos no bar da Michele pra celebrar as viagens astro-etílicas e ver o dia amanhecer tocando violão na casa do Rafaelzinho. Naquela época havia uma comunhão maior do que todas, mais inexplicável, forte e eterna. Era o coven. Mais do que apenas um grupo de estudos, era um grupo de irmãos.

Posts nostálgicos sobre o coven sempre tiveram espaço nos meus devaneios vampíricos por aqui. Mas esse é um pouco mais especial, creio eu. Não estou chorando, estou feliz, mais feliz impossível. É madrugada, eu trabalho amanhã, mas quem se importa? Hoje eu quero falar sobre o meu coven. E nem vou falar muita coisa não, porque tenho medo de que se eu colocar as lembranças todas pra fora por meio das letras, elas nunca mais voltarão.

Relendo o meu próprio blog, encontrei dois endereços. Dos tantos diários virtuais que acessávamos naquela época, parece que só dois ainda estão na ativa. E os donos que me perdôem por eu postá-los aqui, mas agora não tem mais jeito. Nesses dois blogs (Pedro e Filipe) eu vi a minha vida inteira passando diante dos meus olhos. Eu vi uma viagem especial pra Goiás, eu vi encontros 9 horas no cat, eu vi nuggets, coca-cola, filmes, segredos, surpresas, sabbats, vi encontros, desencontros, uma ou outra briga, eu vi dois caras perdidos no meio de uma confusão, vi festas... vi vinho, celebrações, fogueiras, sonhos, músicas. Vi tanta coisa...

2008 começou há uns 30 segundos, mas já estamos praticamente em março. Daqui a pouco faço 20 anos, daqui a pouco faço meu seminário de habilitação no Jornalismo. Faço estágio, ganho salário, cozinho, compro meu próprio celular e pago à vista. Todo mundo sabe disso. A festa de formatura do Filipe é nesse sábado. Ele passou por perdas, vitórias, conquistas, amores. Rodrigo acabou de se mudar pra rua de cima. Eu quase consigo ver a casa dele da minha janela. Essa semana vamos ver filmes indicados ao Oscar. Pedro esteve distante, mas nossas conversas francas no msn e nossos planos de como sobreviver num mundo solteiro estão de pé. De vez em quando ele vem aqui pra casa.

NADA é como antes. NADA MESMO. Da última vez que eu pensei nisso, Pedro, justo o caçula de nós quatro, o engraçado, o sem-noção, me falou uma simples frase que eu nunca mais vou esquecer. Ele disse que eu era o único que tava sofrendo por não ter mais o nosso grupo. Porque "todos mudaram, menos você, Otávio. Você continua...". Eu acho que agora, meses depois da nossa conversa, você já viu que eu mudei, né, Pedro. Também resolvi andar olhando pra frente e acho até que estou indo bem... Nada é como antes. Filipe e Rodrigo nem se falam mais. Falta assunto. Filipe e Pedro ainda são primos. Mas a cumplicidade não é mais a mesma. Rodrigo e Pedro se encontram vez ou outra e falam sobre nada. Mas o mais estranho de tudo isso é que os três ainda são meus amigos. Os melhores. Não os únicos melhores, como foram um dia. Mas não menos especiais.

Estou assistindo "Queridos amigos". Me deu uma vontade de reencontrar todo mundo. Uma nostalgia boa que faz ventar no coração. E todo mundo está voltando aos poucos, depois da reinauguração do bar da Michele. Ainda bem que ainda tenho o número de todo mundo na agenda.

Sabe no final de alguns filmes, em que vemos uma narração em off sobre o futuro dos personagens? É como eu sinto que está esse post. Mas não é final nenhum não. É o início. Quem sabe o reinício.

(é claro que não é o reinício da mesma história. uma história não tem dois inícios. mas nem sempre precisa ter um fim)




E foi naquele 28 de setembro de 2004...


Dica de locadora: Now and then (Agora e sempre) - Quatro amigas se reencontram depois de 25 anos para relembrar a doce e amarga passagem de cada uma delas para a adolescência, durante os anos 70. No presente, cada uma tem uma vida feita, mas ainda carrega consigo um pouco das outras três. Nada mais bonito do que o pôster, onde cada uma delas abraça sua versão de 12 anos.
Citação: eu tenho um doce, por Pedro.
Trilha sonora: Angra dos Reis, de Legião Urbana

3 comentários:

Edwirges disse...

Nossa, o Pedro de vez em quando tem uns doces que até amargam! Mas a poeta já dizia e eu sempre repito: mesmo as pedras, com o tempo, mudam.
Também estou assistindo Queridos Amigos e já formulei um reencontro imaginário! Fiquei pensando se seria com a família Tra lá lá, ou com a turma do magistério, ou os cultos... Com os seus amigos, com os meus amigos, com o conjunto intercessão!Enfim, mesmo com tantas mudanças, mesmo estando tão longe, é um plano que quero concretizar. Não há nada de mal.
Acho que entre nós não há ninguém que metralharia verdades como o Benny da minissérie!!!Eu acho...
Sabe, Tatá, mesmo que as profecias da mamãe tenham se cumprido, mesmo que o presente seja algo disperso, o que aconteceu fica eterno. O coven é eterno. Aqueles momentos, as músicas que te remetem àqueles momentos, a amizade que havia naqueles momentos, tudo é eterno. Tudo aquilo se eterniza na memória, em sua história.
Não há porque sofrer se aquilo passou. Na verdade, pra você, nem passou ainda. Se transformou. Você agora é o elo, já as outras ligações se farão de acordo com a necessidade da vida. Você tem muito por ter tido amigos.Você tem muito por ter amigos. E eles nem precisam morrer por você. Basta que existam.
Você há alguns posts atrás, descobriu a porta para o Novo e eu até fiquei feliz. Que ele, o Novo, seja eterno em você, que as amizades tenham afeto e enquanto durarem, que sejam as melhores!!
Mas aguarde os reencontros!!!

Ankh disse...

Acho que estou sem palavras. Sabe quando em um ou outro Sabbat que não temos o que falar, mas sentimos tudo lá no fundo e é como se tivéssemos falado um milhão de coisas? Bom. Como você mesmo disse, as coisas estão diferentes, mas também me sinto tão feliz quanto nunca senti e sei que assim também acontece com você. E quero também que você saiba que te amo muito, meu amigo e isso é pra sempre!

Raquel German disse...

Nostálgico isso... Mas pelo menos você não perdeu seus amigos (:

obrigada pro passar lá! e a propósito, ótimo gosto para livros, músicas e filmes