
"Mas o que é que vocês lêem?", perguntou o professor, enfatizando a questão anterior, quase retórica, sobre os hábitos de leituras dos alunos na aula de teoria do jornalismo. Somos quase jornalistas, pensei eu, deveríamos ler, assinar, criticar e escrever 20 horas por dia. E foi aí que começou um daqueles momentos de autopiedade que nos ocorrem às vezes. O que é que eu to fazendo aqui? Como é que eu posso me dizer um aspirante a jornalsita se eu só acompanho os acontecimentos do mundo depois das reverberações, depois das repercussões. Só descobri quem era Isabella quando o escândalo da vez já era outro. Não acompanhei a história dos militares gays na Época e nem o caso Ronaldinho na Veja. Nem mesmo o Super eu leio, a não ser pra saber o que é que vai acontecer na novela. "você é o que você lê", ouvi de alguém certa vez.
Talvez seja isso. Eu leio novelas, apesar de não acompanhar nenhuma. Chego na redação, no ambiente de trabalho, e abro o G1 pra ler a nova crítica do filme que estreou essa semana. No máximo leio alguma coisa sobre a última lista das 100 canções mais importantes na história da música brasileira. Leio romances às vezes, no intervalo entre um Charaudeau e um Mouillaud. É por isso que faço aulas de literatura... porque é lá que tenho Joyces, Woolfs e Hemingways no meu caminho. Mas ainda assim, isso não resume o que eu sou.
Eu sempre durmo mais cinco minutos e não chego atrasado. Deixo os trabalhos para a última hora, principalmente os mais difíceis. Tento não dormir em algumas aulas. O meu jeito de prestar atenção é desenhando alguma coisa numa folha em branco enquanto o professor fala. Não tenho má-vontade na hora do trabalho, mas saio da TV logo que o horário é cumprido. Volto pra casa ouvindo música no mp3. Gosto de LS Jack e sou recriminado por isso. Gasto dinheiro que não tenho comprando coisas essenciais na minha vida, como um McFlurry Suflair ou um Subway. Tenho auto-aulas de canto e faço shows dentro do meu quarto, mas não uso nenhuma técnica na hora de cantar Legião na roda de violão. Assisto seriados na tv e fico na internet até de madrugada sem motivos especiais. Varro o meu quarto quando a poeira começa a me incomodar, não guardo os cds de volta em suas caixas. Minha cama é sempre desarrumada e meu guarda-roupa organizado por cores. Como igual um peão de obra e ainda não consigo ganhar peso. Não freqüento academia por preguiça e por princípio. Escuto Miley Cyrus na mesma lista em que escuto Nana Caymmi. Tenho uma paixão platônica pela Elisha Cuthbert e pela Paris Hilton.
Já se foi a época em que eu assistia um filme e não descansava até escrever uma grande resenha sobre ele. Entrei na faculdade e vi que as resenhas não eram tão boas assim. Hoje, cinema só de vez em quando. Só vejo filmes que eu baixo, vez ou outra um clássico alugado da locadora. Continuo gostando de Beatles e The Beach Boys. Queimo incensos no quarto olhando o movimento pela minha janela do sétimo andar. Vejo a vida passar e retornar. Me deixo inspirar pela avenida e carros. Me deixo inspirar por pessoas, fatos e coisas. Me inspiro pelo episódio que acabei de ver de "Confissões de adolescente" ou pela música antiga da Patrícia Marx.
O que é que eu leio? Eu leio blogs. Blog do Noblat? Observatório de imprensa? Não. Eu leio as inquietações da minha irmã, leio os devaneios da minha outra irmã. Acompanho as críticas indignadas do Nuno. Eu leio o blog da Naty, o blog da Xanda. Leio as divertidas histórias mirabolantes do Rob Gordon. E leio textos teóricos porque sou obrigado. Já se foi a época em que eu pegava Platão pra ler só por diversão, só pra ver o que é que ele podia me falar a respeito de amor. Já se foi a época em que eu lia roteiros de cinema e tv só pra experimentar uma sensação criativa diferente de simplesmente assistir passivamente. Se o que eu leio me define então eu sou emoção, sou confiência, sou atenção, sou diversão, sou onirismo, sou niilismo.
O que é que eu leio e o que é que eu sou. Não é uma pergunta. Só um fragmento de frase que o word diz que está sintaticamente inadequada. Definição é limitação, velho clichê. Eu sou isso então. Sou só um clichê. Com um pouquinho de sonho misturado. E cobertura de chocolate. Eu sou um cartão de crédito sem limites. Sou uma tarde gris. Sou todo um monte de pequenas coisas. E tudo deve passar.
Dica de locadora: Se eu fosse você. Tony Ramos, Glória Pires, Daniel Filho e Globo Filmes. Tire suas próprias conclusões.
Citação: ver epígrafe. (Caetano Veloso, Cajuína)
Trilha Sonora: What am I to you?, by Norah Jones
Talvez seja isso. Eu leio novelas, apesar de não acompanhar nenhuma. Chego na redação, no ambiente de trabalho, e abro o G1 pra ler a nova crítica do filme que estreou essa semana. No máximo leio alguma coisa sobre a última lista das 100 canções mais importantes na história da música brasileira. Leio romances às vezes, no intervalo entre um Charaudeau e um Mouillaud. É por isso que faço aulas de literatura... porque é lá que tenho Joyces, Woolfs e Hemingways no meu caminho. Mas ainda assim, isso não resume o que eu sou.
Eu sempre durmo mais cinco minutos e não chego atrasado. Deixo os trabalhos para a última hora, principalmente os mais difíceis. Tento não dormir em algumas aulas. O meu jeito de prestar atenção é desenhando alguma coisa numa folha em branco enquanto o professor fala. Não tenho má-vontade na hora do trabalho, mas saio da TV logo que o horário é cumprido. Volto pra casa ouvindo música no mp3. Gosto de LS Jack e sou recriminado por isso. Gasto dinheiro que não tenho comprando coisas essenciais na minha vida, como um McFlurry Suflair ou um Subway. Tenho auto-aulas de canto e faço shows dentro do meu quarto, mas não uso nenhuma técnica na hora de cantar Legião na roda de violão. Assisto seriados na tv e fico na internet até de madrugada sem motivos especiais. Varro o meu quarto quando a poeira começa a me incomodar, não guardo os cds de volta em suas caixas. Minha cama é sempre desarrumada e meu guarda-roupa organizado por cores. Como igual um peão de obra e ainda não consigo ganhar peso. Não freqüento academia por preguiça e por princípio. Escuto Miley Cyrus na mesma lista em que escuto Nana Caymmi. Tenho uma paixão platônica pela Elisha Cuthbert e pela Paris Hilton.
Já se foi a época em que eu assistia um filme e não descansava até escrever uma grande resenha sobre ele. Entrei na faculdade e vi que as resenhas não eram tão boas assim. Hoje, cinema só de vez em quando. Só vejo filmes que eu baixo, vez ou outra um clássico alugado da locadora. Continuo gostando de Beatles e The Beach Boys. Queimo incensos no quarto olhando o movimento pela minha janela do sétimo andar. Vejo a vida passar e retornar. Me deixo inspirar pela avenida e carros. Me deixo inspirar por pessoas, fatos e coisas. Me inspiro pelo episódio que acabei de ver de "Confissões de adolescente" ou pela música antiga da Patrícia Marx.
O que é que eu leio? Eu leio blogs. Blog do Noblat? Observatório de imprensa? Não. Eu leio as inquietações da minha irmã, leio os devaneios da minha outra irmã. Acompanho as críticas indignadas do Nuno. Eu leio o blog da Naty, o blog da Xanda. Leio as divertidas histórias mirabolantes do Rob Gordon. E leio textos teóricos porque sou obrigado. Já se foi a época em que eu pegava Platão pra ler só por diversão, só pra ver o que é que ele podia me falar a respeito de amor. Já se foi a época em que eu lia roteiros de cinema e tv só pra experimentar uma sensação criativa diferente de simplesmente assistir passivamente. Se o que eu leio me define então eu sou emoção, sou confiência, sou atenção, sou diversão, sou onirismo, sou niilismo.
O que é que eu leio e o que é que eu sou. Não é uma pergunta. Só um fragmento de frase que o word diz que está sintaticamente inadequada. Definição é limitação, velho clichê. Eu sou isso então. Sou só um clichê. Com um pouquinho de sonho misturado. E cobertura de chocolate. Eu sou um cartão de crédito sem limites. Sou uma tarde gris. Sou todo um monte de pequenas coisas. E tudo deve passar.
Dica de locadora: Se eu fosse você. Tony Ramos, Glória Pires, Daniel Filho e Globo Filmes. Tire suas próprias conclusões.
Citação: ver epígrafe. (Caetano Veloso, Cajuína)
Trilha Sonora: What am I to you?, by Norah Jones